Hospital de Osório já teve criação de porcos, vaca de leite e plantação própria

Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, já produziu leite, criou porcos e cultivou aipim para abastecer pacientes e funcionários décadas atrás. Hospital de Osório tinha produção própria de alimentos…
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Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, já produziu leite, criou porcos e cultivou aipim para abastecer pacientes e funcionários décadas atrás.

Hospital de Osório tinha produção própria de alimentos

Muito antes da modernização dos hospitais e da terceirização dos serviços, o Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, funcionava de uma forma que hoje surpreende até antigos moradores do Litoral Norte.

Documentos, relatos e memórias reunidos pelo Litoralmania revelam detalhes pouco conhecidos dessa antiga rotina hospitalar.

Administrada por freiras, a instituição funcionava quase como uma pequena comunidade autossuficiente no Litoral Norte gaúcho.

Além dos atendimentos médicos e das rotinas hospitalares, o espaço possuía criação de porcos, produção de leite com vaca própria, plantação de aipim, cultivo de morangos e outras atividades ligadas ao abastecimento interno.

Os alimentos eram utilizados tanto na alimentação dos pacientes internados quanto nas refeições das funcionárias e religiosas que viviam no local.

Criação de porcos fazia parte da rotina hospitalar

Entre as lembranças mais curiosas preservadas pelas antigas funcionárias está justamente a criação de animais.

Os porcos integravam o sistema de abastecimento mantido pela instituição em uma época em que a logística de fornecimento de alimentos era completamente diferente da atual.

A produção ajudava a reduzir custos e garantir alimentação constante para quem permanecia internado no hospital.

Plantação de aipim e morangos ajudava no abastecimento

Além da criação de animais, o hospital também mantinha áreas destinadas ao cultivo agrícola.

O aipim produzido na instituição fazia parte da alimentação cotidiana e era utilizado nas refeições preparadas diariamente.

As antigas funcionárias também recordam do cultivo de morangos no hospital.

Freiras moravam dentro do Hospital São Vicente de Paulo

As religiosas não apenas administravam o hospital. Elas viviam dentro da própria instituição e acompanhavam de perto todas as atividades.

O modelo reforçava uma rotina comunitária intensa, onde trabalho, convivência e cuidado coletivo aconteciam no mesmo espaço.

As freiras supervisionavam desde os atendimentos hospitalares até a preparação dos alimentos, organização das funcionárias e manutenção diária da estrutura.

Quem trabalhou na instituição relembra que a convivência era extremamente próxima.

Zirlei Borges Goulart, 76 anos, conhecida em Osório como Chica, trabalhou sete anos no hospital.

“Saí de lá no dia do meu casamento, foram anos maravilhosos que passei trabalhando no Hospital São Vicente de Paulo. As irmãs exerceram um papel de mãe para mim”, relembra.

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Arquivo pessoal/Especial Litoralmania

Funcionárias recordam rotina de apoio coletivo

As antigas trabalhadoras descrevem um ambiente marcado pela colaboração entre os setores.

Além das funções ligadas à saúde, muitas funcionárias também ajudavam em atividades relacionadas à alimentação e manutenção da estrutura hospitalar.

Maria da Graça Silva Peixoto, ex-funcionária da instituição, afirma que passou por diversos setores ao longo dos anos.

“Passei por quase todos os setores, com objetivo de aprender e aprimorar o meu trabalho. Sinto saudades daquele tempo”, contou.

Segundo ela, a experiência dentro do hospital ajudou na formação profissional e pessoal das funcionárias da época.

Reencontro emociona antigas funcionárias em Osório

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Amanda Ferrari/Litoralmania
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Amanda Ferrari/Litoralmania

As memórias voltaram à tona na última semana durante um reencontro realizado em Osório.

Ex-funcionárias participaram de uma confraternização marcada por relatos emocionantes e lembranças sobre o período em que trabalharam no Hospital São Vicente de Paulo.

O principal momento do encontro foi a presença da Irmã Josete, hoje com 87 anos.

Ela foi uma das religiosas responsáveis por acompanhar o funcionamento do hospital durante décadas e ainda guarda lembranças da rotina vivida na instituição.

O reencontro serviu para reviver histórias que marcaram gerações de trabalhadores da saúde no município.

Memórias preservam parte da história hospitalar de Osório

Os relatos ajudam a reconstruir uma fase importante da história hospitalar do Litoral Norte gaúcho.

As lembranças mostram um período em que hospitais do interior mantinham características comunitárias e dependiam de estruturas próprias para garantir alimentação, manutenção e funcionamento diário.

Hoje, com sistemas hospitalares altamente especializados e serviços terceirizados, a antiga rotina do Hospital São Vicente de Paulo chama atenção justamente pelo contraste com a realidade atual.

Em resumo

P: O Hospital São Vicente de Paulo realmente criava porcos em Osório?
R: Sim. Décadas atrás, a instituição mantinha criação de porcos para ajudar no abastecimento alimentar do hospital.

P: O que era produzido dentro do hospital de Osório?
R: O hospital cultivava aipim, morangos, produzia leite e mantinha criação de animais.

P: As freiras moravam dentro do hospital?
R: Sim. As religiosas viviam dentro da instituição e acompanhavam a rotina hospitalar diariamente.

P: Quem participou do reencontro em Osório?
R: Ex-funcionárias do Hospital São Vicente de Paulo e a Irmã Josete, atualmente com 87 anos.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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