Indígenas dizem que MPF pediu suspensão da CMPC sem ouvi-los

Comunidades indígenas de Barra do Ribeiro criticaram a tentativa de suspender o licenciamento da nova fábrica da CMPC sem consulta prévia às aldeias afetadas. Indígenas contestam ação sobre fábrica bilionária…
Indígenas dizem que MPF pediu suspensão da CMPC sem ouvi-los

Comunidades indígenas de Barra do Ribeiro criticaram a tentativa de suspender o licenciamento da nova fábrica da CMPC sem consulta prévia às aldeias afetadas.

Indígenas contestam ação sobre fábrica bilionária da CMPC

Lideranças Mbya-Guarani de Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, reagiram contra a tentativa de suspensão do licenciamento ambiental da nova fábrica de celulose da CMPC, projeto estimado em R$ 27 bilhões.

O posicionamento foi formalizado em documento enviado à Funai. Nele, representantes das comunidades afirmam que não foram consultados previamente pelo Ministério Público Federal (MPF), mesmo sendo diretamente impactados pelo empreendimento.

Segundo o texto, a ausência de diálogo contraria princípios constitucionais e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê participação direta dos povos indígenas em decisões que afetem seus territórios e modos de vida.

O que está em disputa no Projeto Natureza

O chamado Projeto Natureza prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose da CMPC no Rio Grande do Sul. O empreendimento depende da licença prévia emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Essa etapa é considerada estratégica porque atesta a viabilidade ambiental da obra e precisa estar concluída antes da análise final da direção global da companhia, prevista para o meio do ano.

A própria empresa já admitiu internamente que existe risco de o investimento não sair do papel caso o cronograma ambiental sofra atrasos relevantes.

Comunidades afirmam que apoiam consulta, mas rejeitam paralisação

O documento apresentado pelas comunidades indígenas não rejeita a realização de consultas adicionais.

As lideranças afirmam concordar com a ampliação do processo de escuta defendido pelo MPF e também reconhecem o estudo solicitado pela Funai e realizado pela CMPC.

O ponto central da divergência está na tentativa de transformar essa consulta em condicionante para continuidade do licenciamento ambiental.

Para os representantes indígenas, interromper a tramitação também causaria prejuízos às próprias aldeias.

Santiago Franco, integrante da comunidade Yvytopy, afirmou que houve quatro encontros envolvendo CMPC, Funai e MPF.

Segundo ele, as aldeias estão abertas à chegada do empreendimento desde que existam contrapartidas concretas em infraestrutura.

Principais reivindicações das comunidades

  • Investimentos em saneamento básico;
  • Ampliação de escolas e estruturas educacionais;
  • Garantias de participação direta nas decisões;
  • Respeito à autodeterminação indígena;
  • Compensações sociais e ambientais permanentes.

Documento critica “atores externos”

O texto entregue à Funai também faz críticas diretas a organizações externas e instituições que, segundo as lideranças, estariam utilizando a pauta indígena sem autorização formal das comunidades.

As aldeias afirmam possuir “capacidade plena de representação” de seus próprios interesses e defendem que decisões relacionadas ao empreendimento sejam construídas diretamente com os povos afetados.

Entenda a ação judicial do MPF

O MPF ajuizou ação pedindo a suspensão do processo de licenciamento ambiental até a realização de consulta indígena mais ampla.

Na sexta-feira (15), a juíza Maria Isabel Pezzi Klein decidiu não conceder imediatamente as suspensões solicitadas.

A magistrada classificou o caso como complexo e determinou abertura de prazo de 10 dias para manifestações das partes envolvidas.

Ela também questionou se existe interesse em eventual conciliação.

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Direto ao ponto

  • R$ 27 bilhões: valor estimado do Projeto Natureza da CMPC;
  • Barra do Ribeiro: cidade onde a fábrica poderá ser instalada;
  • MPF: pediu suspensão do licenciamento ambiental;
  • Indígenas: afirmam que não foram consultados antes da ação;
  • Justiça: abriu prazo de 10 dias antes de decidir sobre suspensão.
Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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