O 41º Rodeio Crioulo Internacional de Osório foi adiado nesta quinta-feira (30) e não ocorrerá mais em maio, impactando o calendário tradicionalista do Litoral Norte.
Rodeio de Osório é adiado a poucos dias do início
A Prefeitura de Osório confirmou o adiamento do evento, que estava programado para ocorrer entre 22 e 31 de maio, no Parque de Rodeios Jorge Dariva.
A nova data definida é entre 15 e 19 de julho de 2026, reduzindo também a duração inicialmente prevista de 10 dias.
Tafona da Canção Nativa está mantida
Diferente do rodeio, a 31ª Tafona da Canção Nativa segue confirmada, entre 21 e 23 de maio.
No entanto, o evento será realizado no CTG Estância da Serra, no centro da cidade, e não mais no Parque Jorge Dariva, o que deve reduzir sua dimensão tradicional.
Motivo oficial não detalha crise
Em nota, a prefeitura afirmou que a mudança busca garantir segurança jurídica, orçamentária e transparência.
Apesar disso, o comunicado não detalha as causas reais do adiamento.
Bastidores: impugnação e ação na Promotoria
Segundo apuração, o adiamento ocorreu após questionamentos no processo de parceria para realização do evento.
A 23ª Região Tradicionalista apresentou um pedido de impugnação e também protocolou denúncia junto à Promotoria Pública.
Exigência de edital público travou o evento
A Promotoria determinou que a parceria fosse feita por meio de edital de concorrência pública.
Sem tempo hábil para adequação dentro do calendário de maio, a organização optou pelo adiamento.
Segundo ano consecutivo de problemas
O cenário se agrava porque, em 2025, o evento já não havia sido realizado, sob justificativa de limitações financeiras.
Agora, em 2026, o rodeio volta a enfrentar entraves, comprometendo o que já foi considerado o segundo maior rodeio do Rio Grande do Sul.
Análise do Editor
“O que já foi considerado o segundo maior rodeio do Rio Grande do Sul, disputando protagonismo com Vacaria, hoje vive um processo visível de retração.
Em Osório, o rodeio nunca foi apenas um evento: era ritual coletivo. Famílias inteiras acampavam no Parque de Rodeios Jorge Dariva, acompanhavam o tiro de laço, as gineteadas, as invernadas artísticas, e consumiam a cultura gaúcha na sua forma mais autêntica — da música à gastronomia, como a rosca feita na hora.
O cenário atual revela um encolhimento simbólico e prático. Um evento que prometia retomar grandeza, com 10 dias de programação, é reduzido, adiado e ainda perde parte de sua essência ao deslocar a Tafona da Canção Nativa do parque. Isso não é apenas logística — é perda de identidade.
A repetição de problemas por dois anos consecutivos aponta falhas estruturais na gestão e na organização. E, embora ainda não haja mudanças no alto escalão, o desgaste político e cultural é inevitável.
No fim, quem perde não é só o calendário. Perde a cidade, perdem os moradores, perdem os visitantes e, principalmente, perde o tradicionalismo — que vê um de seus maiores palcos no estado se apequenar diante de entraves que deveriam ser previsíveis e evitáveis”.
📌 Direto ao Ponto
- Evento adiado: de maio para 15 a 19 de julho de 2026
- Duração reduzida: de 10 dias para 5 dias
- Motivo: exigência de edital público após denúncia
- Tafona mantida: 21 a 23 de maio, em novo local
- Histórico: segundo ano seguido com problemas




















