O endividamento das famílias no Rio Grande do Sul voltou a subir e já atinge 85,9%, segundo levantamento da Fecomércio-RS com base na PEIC da CNC.
Os dados, coletados em Porto Alegre, revelam um cenário ambíguo: mais famílias endividadas, mas leve queda nas contas em atraso.
Por que o endividamento voltou a subir no RS?
Após dois meses de queda, o índice avançou de 84,7% em fevereiro para 85,9% em março de 2026.
O movimento foi puxado tanto por famílias de baixa quanto de alta renda — indicando que o crédito continua sendo utilizado como ferramenta de sobrevivência e consumo.
- Cartão de crédito lidera com 63,2%
- Carnês aparecem com 47,2%
- Financiamentos e crédito pessoal seguem na sequência
Se mais gente está endividada, por que a inadimplência caiu?
O percentual de famílias com contas em atraso recuou levemente para 26,7%, puxado principalmente por quem ganha até 10 salários mínimos.
Uma hipótese captada pela pesquisa é o impacto da redução do Imposto de Renda, que aumentou a renda disponível no curto prazo.
Por outro lado, entre famílias com renda maior, a inadimplência subiu — sinalizando pressão crescente também nesse grupo.
O alerta silencioso: dívidas mais caras e persistentes
Mesmo com a leve melhora na inadimplência, o problema estrutural continua:
- 29,5% da renda está comprometida com dívidas
- Tempo médio de endividamento subiu para 7,2 meses
- Famílias “muito endividadas” aumentaram para 18,1%
Além disso, cresceu o número de famílias que não conseguirão pagar nenhuma dívida atrasada nos próximos 30 dias.
O que dizem os bastidores do setor
Em nossas apurações, o que se confirma é uma tendência preocupante: o crédito está sendo usado para manter o padrão básico de consumo.
Segundo Luiz Carlos Bohn, presidente do sistema Fecomércio-RS, o problema vai além das famílias:
“Com juros mais altos por mais tempo, o custo das dívidas limita o consumo. Sentem as famílias, sentem os negócios.”
Análise do Editor
O dado mais relevante não é apenas o aumento do endividamento, mas a qualidade dessa dívida.
O avanço ocorre justamente em um cenário de juros elevados, o que indica migração para linhas de crédito mais caras — como cartão e rotativo.
A leve queda da inadimplência pode ser temporária, sustentada por fatores pontuais como a desoneração do IR.
Se os juros permanecerem altos nos próximos meses, a tendência é clara: inadimplência pode voltar a subir, com impacto direto no varejo e na economia local.
Resumo Rápido
P: O que aconteceu?
R: Endividamento subiu para 85,9% no RS.
P: A inadimplência piorou?
R: Não, caiu levemente para 26,7%.
P: Qual o risco?
R: Juros altos podem elevar a inadimplência nos próximos meses.



















