Furtos de soja na BR-392 voltaram a preocupar caminhoneiros e autoridades em Rio Grande durante a safra, com perdas de até 10 toneladas por ataque.
Quadrilhas agem em pontos estratégicos da BR-392
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou uma atuação organizada para furto de cargas de soja na BR-392, em Rio Grande, no Litoral Sul.
Entre janeiro e 20 de maio deste ano, foram registrados oito casos de derramamento de carga e roubo de grãos nas rodovias da região. Em todo o ano passado, ocorreram 30 registros.
Segundo a PRF, os ataques se intensificam durante o período da safra e seguem uma lógica operacional estruturada.
Os criminosos atuam principalmente em trechos onde os caminhões precisam reduzir velocidade ou ficam parados aguardando acesso aos terminais portuários.
Trechos considerados críticos
De acordo com a corporação, os pontos mais vulneráveis estão:
- Km 18 da BR-392, na região do Parque Marinha;
- Km 9,9 da BR-392, próximo aos acessos portuários.
Nesses locais, filas, retornos e lentidão facilitam a ação das quadrilhas.
Furto de soja: como funciona o esquema criminoso
Segundo o supervisor operacional da PRF, Marcos Molina, existe uma divisão de tarefas entre os envolvidos.
Os criminosos utilizam motocicletas para se aproximar das carretas durante manobras lentas ou filas de descarga.
O alvo principal é o tombador da carreta, mecanismo responsável pela abertura traseira utilizada para descarregar os grãos.
Etapas da ação criminosa
- Identificação de caminhões sem cadeados ou travas;
- Aproximação em motos durante redução de velocidade;
- Abertura da tampa traseira;
- Derramamento parcial ou total da carga;
- Recolhimento posterior dos grãos;
- Revenda ilegal da soja.
Em alguns casos, segundo a PRF, os grãos chegam a ser escondidos em áreas de mata próximas à rodovia até o momento do transporte clandestino.
Motoristas relatam medo constante durante viagens
O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens de Rio Grande (Sindicam), Diek Senna, afirma que os caminhoneiros já chegam ao município em estado de alerta.
Segundo ele, o retorno do Parque Marinha se tornou um dos pontos mais perigosos da rota.
Os relatos indicam que muitos motoristas só percebem o crime quilômetros depois, quando a quantidade perdida já é significativa.
Em diversos casos, o prejuízo varia entre oito e dez toneladas de soja.
Prejuízo financeiro pode atingir o motorista
Além da perda da carga, muitos caminhoneiros acabam responsabilizados financeiramente.
Isso ocorre porque parte dos contratos de transporte prevê responsabilidade sobre a integridade da carga transportada.
Com a soja espalhada pela pista, os grãos entram em contato com sujeira, óleo, umidade e resíduos do asfalto, perdendo valor comercial.
Atualmente, a saca de 60 quilos da soja varia entre R$ 105 e R$ 135 no mercado brasileiro.
Quando contaminada, a carga normalmente é redirecionada para produção de ração animal ou revendida com forte desvalorização.
Risco de acidentes preocupa autoridades
O problema vai além do prejuízo econômico.
A presença de grandes quantidades de soja espalhadas sobre a pista aumenta significativamente o risco de acidentes.
Os grãos reduzem a aderência dos pneus e podem provocar derrapagens, especialmente em caminhões pesados e veículos de passeio.
Motoristas relatam ainda medo de parar no acostamento após perceber o furto.
Muitos preferem seguir até postos de combustíveis ou áreas iluminadas para evitar assaltos ou roubos do próprio veículo.
Ocorrências continuam frequentes na região portuária
Os dados das forças de segurança mostram que os ataques seguem recorrentes em Rio Grande.
Apenas em maio deste ano, foram registrados quatro casos.
No mesmo período do ano anterior, haviam sido três ocorrências.
Já em setembro de 2025, a região teve o maior pico de registros, com 11 ocorrências, principalmente entre os quilômetros 17 e 19 da BR-392.
PRF orienta caminhoneiros para reduzir riscos
A Polícia Rodoviária Federal recomenda medidas preventivas simples, mas consideradas fundamentais.
Orientações aos motoristas
- Utilizar cadeados e travas nos tombadores;
- Observar movimentações suspeitas de motociclistas;
- Registrar boletim de ocorrência após qualquer furto.
Em resumo
P: Onde ocorrem os principais furtos de soja em Rio Grande?
R: Os casos se concentram principalmente nos quilômetros 9,9 e 18 da BR-392.
P: Como as quadrilhas furtam soja das carretas?
R: Os criminosos aproveitam momentos de lentidão para abrir o tombador das carretas e provocar o derramamento da carga.
P: Quanto um caminhoneiro pode perder em um ataque?
R: Segundo o Sindicam, os prejuízos podem chegar a até 10 toneladas de soja.



















