Safra do camarão no Litoral Sul entra na reta final com um cenário que preocupa pescadores: mesmo com o preço valorizado, a baixa captura está comprometendo a renda e ampliando a dependência do seguro-defeso.
O que está acontecendo na safra do camarão
A temporada 2025/2026 no Sul do Rio Grande do Sul deve encerrar com desempenho abaixo do esperado. Dados locais indicam uma redução de cerca de 50% no volume capturado.
O impacto é direto: mais de 4.200 famílias em municípios como Rio Grande, São José do Norte, Pelotas e São Lourenço do Sul dependem da atividade.
Mesmo com o quilo do camarão descascado chegando a R$ 60 a R$ 65, a baixa oferta impede ganhos reais.
Por que o preço alto não resolve
Na prática, o aumento do valor de mercado não compensa a queda na produção.
- Menor volume de pesca reduz faturamento total
- Custos com combustível seguem elevados
- Manutenção de redes e embarcações pesa no orçamento
Em muitos casos, pescadores relatam prejuízo em saídas para a atividade.
O que explica a queda na captura
Impacto climático e ambiental
A enchente histórica de 2024 e o excesso de chuvas alteraram o equilíbrio da Lagoa dos Patos.
- Redução da salinidade da água
- Dificuldade no desenvolvimento dos camarões juvenis
- Dispersão dos cardumes para áreas menos acessíveis
Pressão da pesca irregular
Outro fator crítico é a captura fora do período permitido.
- Uso de redes de arrasto antes da liberação
- Redução dos estoques naturais
- Comprometimento das próximas safras
Defeso se aproxima e aumenta a preocupação
A pesca segue liberada até 31 de maio. Após essa data, começa o período de defeso, que vai até fevereiro.
Nesse intervalo, pescadores ficam proibidos de trabalhar para garantir a reprodução da espécie.
A partir de 1º de junho, pescadores que atendem aos requisitos legais poderão requerer o benefício, que será pago pelo governo federal em cinco parcelas mensais equivalentes a um salário mínimo.
Dependência do seguro-defeso
Durante o defeso, a renda vem do Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal.
- Pago em 5 parcelas
- Valor de um salário mínimo por mês
- Solicitação liberada a partir de junho
Em 2026, a gestão do benefício passou ao Ministério do Trabalho.
Pagamentos atrasados aumentam insegurança
Apesar da mudança, há um problema crítico: pescadores alegam aguardar valores do ano anterior.
- Cerca de 300 trabalhadores seguem sem receber
- Mais de 3 mil pedidos registrados no RS
Em nota, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), responsável pelos repasses, informou que ainda não há definição sobre os pedidos feitos antes de 1º de novembro — período em que a gestão do benefício estava sob responsabilidade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Confira a nota do Ministério do Trabalho e Emprego
Os requerimentos foram feitos ao INSS, e a gestão do benefício passou ao MTE em 1º de novembro. No Rio Grande do Sul, há 3.190 requerimentos de seguro-defeso. Desses, 1.217 já foram pagos, considerando também o pagamento do dia 24 de março, totalizando cerca de R$ 2 milhões. Novos critérios foram adotados para evitar fraudes.
Em resumo
Por que a safra do camarão foi ruim no Litoral Sul?
Principalmente por excesso de chuvas, enchentes e redução da salinidade, que afetaram o desenvolvimento da espécie.
Quando começa o defeso do camarão?
Em 1º de junho, com suspensão da pesca até fevereiro para preservação da espécie.
O que é o seguro-defeso?
É um benefício pago aos pescadores durante o período em que a pesca é proibida, garantindo renda mínima.





















