O Rio Grande do Sul realizou nesta quarta-feira (3) a primeira reunião do Gabinete Integrado de Gerenciamento de Desastres (Giged), estrutura permanente criada para coordenar ações de prevenção, monitoramento e resposta a emergências em todo o Estado.
Giged nasce após os maiores desastres da história gaúcha
A reunião ocorreu no Palácio Piratini e marcou o início efetivo das atividades do Gabinete Integrado de Gerenciamento de Desastres (Giged), órgão permanente vinculado ao Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil (Siepdec).
A estrutura foi criada pela Lei Complementar nº 16.263/2024 e regulamentada pelo Decreto Estadual nº 58.486/2025.
O objetivo é integrar órgãos estaduais, forças de resposta e entidades estratégicas para tornar mais rápidas e eficientes as decisões durante situações críticas como enchentes, deslizamentos, vendavais, estiagens e outros eventos extremos.
Governador destaca reforço da estrutura estadual
Durante o encontro, o governador Eduardo Leite destacou os investimentos realizados após as catástrofes climáticas enfrentadas pelo Estado.
Segundo ele, o Rio Grande do Sul ampliou significativamente sua capacidade operacional e de monitoramento.
Principais reforços anunciados
- Ampliação da Defesa Civil para quatro vezes o tamanho registrado em 2024;
- Contratação de geólogos, hidrólogos e meteorologistas;
- Expansão das equipes para Coordenadorias Regionais;
- Instalação e modernização de estações de monitoramento;
- Ampliação da cobertura de radares meteorológicos;
- Realização de estudos de batimetria;
- Aquisição de helicópteros, viaturas, embarcações e equipamentos de resgate.
Leite ressaltou que equipamentos e tecnologia só produzem resultados efetivos quando existe uma governança previamente organizada entre os órgãos envolvidos.
Integração entre órgãos passa a ser permanente
A coordenação do Giged ficará sob responsabilidade do chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira.
Durante sua apresentação, Boeira relembrou os eventos extremos de 2023 e 2024, considerados os mais severos já registrados no Rio Grande do Sul.
Segundo ele, a experiência demonstrou limitações operacionais, estruturais e normativas que dificultavam uma resposta mais eficiente diante de crises de grande magnitude.
O coronel destacou que a criação da Política Estadual de Proteção e Defesa Civil representa uma mudança estrutural na forma como o Estado se prepara para enfrentar riscos climáticos.
O que muda na prática
O modelo passa a reunir permanentemente representantes de diferentes áreas do governo para planejamento, monitoramento, prevenção e resposta.
A integração envolve setores ligados à saúde, assistência social, segurança pública, logística, transportes, agricultura, educação, meio ambiente, comunicação e infraestrutura.
Também poderão participar representantes do governo federal, Poder Judiciário, Poder Legislativo e concessionárias responsáveis por serviços essenciais.
Ferramentas estratégicas em desenvolvimento
Entre os instrumentos previstos pela Política Estadual de Proteção e Defesa Civil estão iniciativas que deverão centralizar informações e apoiar decisões em tempo real.
Plataforma Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres (Pegird)
A plataforma reunirá informações operacionais, dados de monitoramento, indicadores de risco e suporte técnico para subsidiar ações preventivas e emergenciais.
Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil
O documento estabelecerá protocolos, responsabilidades, fluxos operacionais e critérios de atuação para diferentes cenários de risco.
Planos de contingência municipais
Os 497 municípios gaúchos já entregaram seus planos de contingência.
Segundo a Defesa Civil, mais de 80% dos documentos foram classificados entre moderados e bons, um avanço significativo em relação aos anos anteriores.
Sistema de Comando de Incidentes será adotado pelo Giged
Para organizar a atuação dos diversos órgãos, o Gabinete utilizará o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), metodologia internacional amplamente empregada em grandes emergências.
Principais características do SCI
- Terminologia padronizada entre equipes;
- Estrutura modular e flexível;
- Comando unificado;
- Planejamento por objetivos;
- Integração de comunicações;
- Gestão centralizada de recursos;
- Controle operacional baseado em protocolos pré-definidos;
- Produção integrada de dados e inteligência.
O modelo busca evitar sobreposição de funções, reduzir falhas de comunicação e acelerar a tomada de decisões durante crises.
Monitoramento de riscos ganha papel central
Durante a reunião, especialistas da Defesa Civil apresentaram os sistemas atualmente utilizados para monitoramento de ameaças naturais.
As atividades abrangem áreas como meteorologia, hidrologia e geologia, responsáveis pela identificação de riscos e emissão de alertas preventivos.
Também foram apresentados os graus de criticidade utilizados pelo Estado para classificar situações de risco e definir o nível de resposta necessário.
Capacitação dos integrantes já começa na próxima semana
Os membros do Giged participarão de treinamentos específicos sobre gestão integrada de riscos e desastres.
Além das capacitações técnicas, está prevista uma visita institucional à Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina para troca de experiências e aperfeiçoamento dos protocolos operacionais.
Direto ao Ponto
- Giged realizou sua primeira reunião oficial nesta quarta-feira (3).
- Defesa Civil do RS está quatro vezes maior do que em 2024.
- Todos os 497 municípios entregaram planos de contingência.
- Mais de 80% dos planos receberam avaliação entre moderada e boa.
- Sistema de Comando de Incidentes será adotado para coordenar emergências.





















