Espuma branca em grande volume apareceu no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, nesta semana, e mobilizou equipes ambientais após suspeita de contaminação no Rio dos Sinos.
Espuma no Rio dos Sinos chamou atenção de moradores
O fenômeno foi registrado inicialmente na terça-feira (5), próximo à Casa de Bombas do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Na quarta-feira (6), a quantidade de espuma aumentou significativamente, gerando preocupação entre moradores da região e levando técnicos da prefeitura ao local.
Imagens do córrego coberto por espuma circularam rapidamente nas redes sociais e reacenderam o debate sobre a qualidade ambiental do Rio dos Sinos, um dos principais rios do Rio Grande do Sul.
O que pode ter causado a espuma no córrego
Segundo a Prefeitura de Novo Hamburgo, a espuma pode estar relacionada à combinação de matéria orgânica, resíduos domésticos e substâncias surfactantes, como sabões e detergentes.
Esses compostos reduzem a tensão superficial da água e favorecem a formação de espuma quando há forte agitação.
No caso do bairro Santo Afonso, o sistema de bombeamento da estrutura teria intensificado o processo.
Como o sistema de bombeamento influencia
De acordo com o geólogo Glauber Giuliani, da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (SMOPI), a intensa turbulência provocada pela casa de bombas favorece a espumação da água contaminada com detergentes e resíduos orgânicos.
A pressão gerada pelas bombas mistura ar e água, criando grandes placas de espuma visíveis na superfície.
Fenômeno ocorre em horários específicos

A Secretaria de Meio Ambiente de Novo Hamburgo informou que situações semelhantes podem ocorrer em períodos de maior consumo doméstico de água.
Os horários mais comuns seriam:
- Início da manhã
- Meio-dia
- Fim da tarde
Segundo o secretário Anderson Bertotti, o que chamou atenção desta vez foi o registro por volta das 15h, horário considerado fora do padrão habitual.
Investigação aponta possível origem em São Leopoldo
Uma análise preliminar feita por técnicos ambientais indicou que a substância observada pode não ter origem em Novo Hamburgo.
A suspeita inicial é de que os resíduos tenham vindo de São Leopoldo, município vizinho cortado pelo mesmo sistema hídrico.
O diretor de Proteção Ambiental de Novo Hamburgo, Jalnei de Souza, afirmou que a hipótese de descarte por alguma empresa ainda está sendo investigada.
“Nós estamos ainda em fase de investigação. Pode ser que venha de uma empresa”, afirmou.
O que disse a Prefeitura de São Leopoldo
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de São Leopoldo informou que realizou vistoria no Arroio Gauchinho, entre a Avenida Mauá e a Casa de Bombas.
Segundo o município, não foram encontradas anormalidades ao longo do trajeto, apenas uma ocorrência pontual próxima à estação de bombeamento.
A prefeitura confirmou que a espuma pode estar relacionada à presença de substâncias surfactantes em efluentes domésticos.
Água segue própria para consumo, afirma Comusa
A Comusa, responsável pelos serviços de água e esgoto de Novo Hamburgo, informou que o fenômeno não afeta o abastecimento da população.
Segundo a companhia, a captação de água para tratamento ocorre antes do ponto onde a espuma foi identificada.
O coordenador de Produção da Comusa, Geraldo Thiesen, garantiu que:
“Não há qualquer comprometimento da qualidade da água tratada e distribuída à população.”
A empresa reforçou que o sistema segue operando normalmente e que não há incidência de espuma na Estação de Tratamento de Água (ETA).
Rio dos Sinos nasce no Litoral Norte do RS
O episódio também reacende o alerta ambiental sobre a preservação do Rio dos Sinos, que nasce no município de Caraá, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
As nascentes ficam em área de Mata Atlântica preservada, a mais de 600 metros de altitude, com águas cristalinas e cachoeiras.
O rio percorre cerca de 190 quilômetros até desaguar no Delta do Jacuí, em Canoas.
Ao longo do trajeto, o Sinos atravessa cidades densamente urbanizadas e industrializadas, sofrendo pressão constante por esgoto doméstico, resíduos industriais e degradação ambiental.
Direto ao Ponto
- Espuma apareceu próximo à Casa de Bombas do bairro Santo Afonso
- Fenômeno aumentou entre terça (5) e quarta-feira (6)
- Investigação aponta possível origem em São Leopoldo
- Substâncias surfactantes, como detergentes, são principal hipótese
- Comusa afirma que água distribuída segue própria para consumo




















