A Secretaria Estadual da Saúde (SES) publicou uma nota técnica orientando hospitais, UPAs, postos de saúde e vigilâncias municipais sobre como agir diante de um eventual caso suspeito de Ebola no Rio Grande do Sul.
RS reforça vigilância após emergência internacional declarada pela OMS
A medida ocorre após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar, em 16 de maio de 2026, uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional relacionada a um surto da doença pelo vírus Ebola na República Democrática do Congo.
Segundo a SES, não existe atualmente nenhum caso suspeito em investigação no Brasil. Ainda assim, o Estado decidiu padronizar procedimentos para garantir resposta rápida caso surja uma suspeita.
De acordo com o diretor-adjunto do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Marcelo Vallandro, o objetivo é monitorar o cenário internacional, reduzir riscos e preparar a rede de saúde para uma eventual necessidade de resposta.
O que caracteriza um caso suspeito de Ebola?
Será considerado suspeito o indivíduo que, nos últimos 21 dias, tenha viajado, residido ou permanecido em área com transmissão ativa do vírus Bundibugyo reconhecida pela OMS.
Além do histórico de viagem, a pessoa deve apresentar sintomas compatíveis com a doença.
Principais sintomas observados
- Febre;
- Calafrios;
- Diarreia;
- Vômitos;
- Dores musculares;
- Dor de cabeça;
- Dor de garganta;
- Manifestações hemorrágicas.
Entre os sinais hemorrágicos descritos estão diarreia com sangue, sangramento gengival, sangue na urina e outras alterações associadas ao comprometimento vascular.
Como ocorre a transmissão do vírus Bundibugyo?
A cepa identificada no atual surto é a Bundibugyo (Orthoebolavirus bundibugyoense), responsável por formas graves da doença.
A transmissão ocorre por contato direto com:
- Sangue;
- Secreções corporais;
- Fluidos biológicos;
- Animais infectados;
- Objetos e superfícies contaminadas.
O período de incubação varia entre 2 e 21 dias. Segundo a nota técnica, a transmissão geralmente ocorre após o aparecimento dos sintomas.
A letalidade registrada em surtos anteriores da cepa Bundibugyo variou entre 30% e 50%.
O que os hospitais devem fazer ao identificar um caso suspeito?
A orientação da SES determina uma sequência rigorosa de procedimentos.
Isolamento imediato
O paciente deve ser encaminhado imediatamente para uma sala privativa de isolamento.
Restrição de procedimentos
Serviços de saúde que identificarem o caso não devem realizar procedimentos invasivos no paciente.
Controle de acesso
O número de profissionais em contato com o paciente deve ser reduzido ao mínimo necessário.
Transferência especializada
O transporte deverá ser realizado pelo Samu, seguindo protocolos rígidos de biossegurança até o hospital de referência.
Desinfecção do ambiente
Após a saída do paciente, o local deverá passar por limpeza terminal e desinfecção rigorosa de superfícies, equipamentos e materiais utilizados.
Aeroporto Salgado Filho, Porto de Rio Grande e fronteiras entram no protocolo
A nota técnica estabelece procedimentos específicos para os principais pontos de entrada do Rio Grande do Sul.
- Aeroporto Internacional Salgado Filho;
- Porto de Rio Grande;
- Fronteiras terrestres com Argentina;
- Fronteiras terrestres com Uruguai.
Se o caso for identificado no Aeroporto Salgado Filho
Pacientes estáveis poderão permanecer isolados no aeroporto até remoção pela Força Aérea Brasileira (FAB) para hospital de referência nacional.
Se houver necessidade de atendimento urgente, o Samu fará a remoção para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre.
Se o caso surgir no Porto de Rio Grande ou nas fronteiras
As autoridades sanitárias locais deverão realizar o isolamento imediato e acionar a vigilância epidemiológica municipal e estadual para organização do transporte seguro.
Como será a confirmação laboratorial?
O diagnóstico definitivo dependerá de exames realizados em laboratórios de referência definidos pelo Ministério da Saúde.
A confirmação ocorrerá por:
- PCR (Reação em Cadeia da Polimerase);
- Sequenciamento genético viral.
As amostras serão coletadas apenas em hospitais de referência nacional, como o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (Fiocruz) e o Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Monitoramento de contatos dura 21 dias
Pessoas que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados serão monitoradas durante 21 dias.
A investigação epidemiológica deverá reconstruir toda a linha do tempo do paciente, incluindo deslocamentos, viagens, locais frequentados e identificação de contactantes.
Em voos, o monitoramento poderá incluir passageiros sentados na mesma fileira e nas fileiras imediatamente anterior e posterior ao caso investigado.
Direto ao Ponto
- Não há casos suspeitos de Ebola em investigação no Brasil.
- O RS publicou protocolo estadual de resposta e monitoramento.
- Casos suspeitos devem ser isolados imediatamente.
- Porto de Rio Grande, Aeroporto Salgado Filho e fronteiras estão sob vigilância especial.
- Contactantes serão monitorados por até 21 dias.





















