Depois de temporadas dominadas pelo “clean look” e pela estética da pele quase invisível, a maquiagem vive uma virada clara de comportamento: o maximalismo voltou ao centro da conversa. Nas redes sociais, nos palcos e nos tapetes vermelhos, uma estética mais ousada, colorida e divertida tem ocupado os holofotes.
Nomes como Zara Larsson vêm puxando esse movimento com produções marcadas por sombras vibrantes, blush evidente, gloss espelhado e aplicações nada discretas. A make deixou de ser coadjuvante e voltou a ocupar o lugar de protagonista do look.
Mas ela não está sozinha. Chappell Roan, que vem se destacando desde a ascensão meteórica com The Rise and Fall of a Midwest Princess e suas performances marcantes em festivais e premiações, transformou a maquiagem em parte essencial de sua identidade artística, com olhos dramáticos, cores intensas e referências que flertam com o teatral.
Sabrina Carpenter, por sua vez, reforça o protagonismo do blush, apostando em bochechas rosadas e evidentes que fogem da neutralidade absoluta e devolvem frescor e impacto ao visual. Já Doechii leva a tendência para um território ainda mais experimental, combinando cores vibrantes, traços gráficos e produções que fazem da maquiagem uma extensão direta da performance.
Para Chloé Gaya, maquiadora e diretora artística da rede Jacques Janine, o movimento reflete uma mudança mais profunda na forma como as pessoas se relacionam com a beleza. “Existe um desejo coletivo de voltar a brincar com a maquiagem. Depois de um período muito focado na neutralidade e na busca pela pele perfeita, as pessoas querem cor, textura e personalidade novamente”, afirma.
A seguir, Gaya aponta os principais códigos dessa nova fase da maquiagem. Confira!
1. Blush protagonista e efeito corado assumido
O blush já vinha ganhando força nas últimas temporadas, mas agora assume um papel ainda mais marcante. Se antes o efeito corado dominava as bochechas e o topo do nariz, a nova leitura amplia essa aplicação e transforma o produto em elemento estruturante da maquiagem.
Tons rosados, pêssego vibrante e até nuances mais intensas aparecem esfumados em direção às têmporas e conectados ao olhar, criando um efeito monocromático que integra rosto e olhos em uma única proposta visual.
“O blush deixou de ser apenas um toque de cor para virar parte da construção do look. Ele molda, destaca e traz personalidade”, explica a maquiadora. O resultado é menos “natural corado” e mais intencional, com presença, contraste e acabamento que conversa diretamente com a estética maximalista.
Sugestões de produto: Bolush Blush Cremoso Multifuncional Pudim Beauty.
2. Olhos coloridos e pigmento sem economia

Rosa-chiclete, azul-elétrico, verde-lima, laranja-vibrante. As sombras neutras continuam existindo, mas agora dividem espaço com cores saturadas e combinações inesperadas. “Essa estética permite misturar tons, trabalhar em camadas e criar degradês ousados. Não é sobre perfeição absoluta, é sobre expressão”, destaca Chloé Gaya. Delineados gráficos, contrastes marcantes e até máscara de cílios colorida entram como aliados de quem quer transformar o olhar no ponto alto da produção.
Sugestões de produto: Paleta de Sombras Electric Glaze Ruby Kisses e BT Velvet 2×1 Bruna Tavares.
3. Brilho, glitter e aplicações criativas

Se o minimalismo defendia discrição, o maximalismo celebra textura e luz. Glitter prensado, sombras metalizadas e aplicações em pedraria transformam a maquiagem quase em acessório. “A maquiagem passa a dialogar diretamente com o styling. Pedrinhas, pontos de luz e texturas diferentes deixam de ser detalhes e viram parte central do visual”, afirma a profissional. A influência dos anos 2000 aparece com força, mas com acabamento mais polido e leitura contemporânea.
Sugestões de produto: Pincel de Silicone para Pigmento e Glitter Brown Line 42 Klass Vough e Iluminador em Gel Marmalade BM Beauty.
4. Lábios glossy e efeito juicy

Depois de uma longa era mate, o brilho retorna com protagonismo. O acabamento espelhado, volumoso e hidratado ganha espaço e complementa produções intensas sem pesar. “O lábio dessa fase é suculento, com contorno levemente marcado e bastante brilho. Ele traz frescor e equilibra a maquiagem mais carregada nos olhos”, explica. O combo lápis + gloss reaparece como fórmula certeira para quem quer impacto e leveza ao mesmo tempo.
Sugestões de produto: Tint Cream Shine Choco Fun Fenzza.
Maquiagem como linguagem de identidade
Mais do que uma tendência estética, o maximalismo aponta para uma mudança de comportamento. A maquiagem deixa de ser ferramenta apenas para corrigir e passa a ser linguagem visual. “Estamos vivendo um momento em que as pessoas querem se posicionar por meio da imagem. A maquiagem voltou a ser divertida porque voltou a ser livre”, conta a maquiadora. Se antes a naturalidade era regra, agora ela divide espaço com intensidade, cor e personalidade. No lugar da moderação absoluta, entra a liberdade criativa e a permissão para experimentar sem medo.
Por Caroline Amorim



















