Estado libera a vacina da dengue para todo o território gaúcho e inicia distribuição imediata das doses para jovens de 10 a 14 anos.
A vacinação contra a dengue no RS finalmente sai do mapa restrito. A partir deste mês, qualquer município gaúcho pode aplicar a dose em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Na prática, isso significa menos viagem até cidade vizinha, menos fila e mais chance de completar o esquema. Saúde pública é logística — e o gargalo, agora, começa a diminuir.
Até então, só 145 cidades tinham acesso regular. Agora, cerca de 630 mil jovens passam a estar oficialmente cobertos, segundo estimativa da Secretaria Estadual da Saúde.
Quem pode se vacinar contra a dengue no RS?
- Público-alvo: crianças e adolescentes de 10 a 14 anos
- Esquema: duas doses
- Intervalo: três meses entre a primeira e a segunda aplicação
A recomendação é acompanhar o calendário divulgado por cada prefeitura, já que datas e locais variam conforme a entrega das remessas.
Quando as doses chegam aos postos?
O abastecimento começou nesta primeira semana de fevereiro pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde.
61 mil doses já estão em estoque e serão distribuídas inicialmente. Novos lotes devem chegar de forma gradual, conforme envio do Ministério da Saúde.
Ou seja: quem não conseguir agora, deve ter nova chance nas próximas semanas.
Por que a pressa faz sentido? O histórico assusta
O Rio Grande do Sul vem de um trauma recente. Em 2024, o Estado registrou 209 mil casos e 281 mortes, o pior cenário da série histórica.
Em 2025 houve alívio, mas ainda foram 44 mil casos e 52 óbitos.
Entre jovens de 10 a 14 anos, houve mais de 2,5 mil infecções. Em 2024, três crianças dessa faixa etária morreram. É esse dado silencioso que pesou na decisão de ampliar a vacinação.
A segunda dose é mesmo necessária?
Sim — e aqui mora um erro comum.
Das 168 mil doses já aplicadas, só 48 mil foram de segunda dose. Muita gente começou e não terminou.
Sem o esquema completo, a proteção cai. A vacina perde força justamente quando o vírus volta a circular no calor.
O que muda com a nova vacina do Butantan?
Enquanto a Qdenga exige duas aplicações, o Instituto Butantan testa uma alternativa de dose única, a Butantan-DV.
Ela já roda em cidades-piloto de três estados e pode facilitar campanhas em massa, principalmente em regiões onde é difícil trazer o adolescente de volta ao posto meses depois.
Se os resultados confirmarem a eficácia, a adesão tende a disparar.
Análise do Editor
A ampliação chega em boa hora. Com menos casos agora, muita família relaxa — e é justamente nesse momento que o mosquito ganha terreno.
Vacinar em período de baixa é estratégia inteligente: prepara o sistema antes do próximo verão, quando a dengue tradicionalmente explode.
Se as prefeituras conseguirem organizar mutirões escolares e horários estendidos, o RS pode entrar no fim de 2026 com uma geração inteira já protegida. Isso muda o jogo epidemiológico.
Como se proteger além da vacina?
- Eliminar água parada em pátios e calhas
- Tampar caixas d’água
- Limpar ralos externos
- Usar repelente em períodos de surto
- Completar as duas doses da vacina
Resumo Rápido
P: Quem pode se vacinar agora?
R: Crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todos os municípios do RS.
P: Quantas doses são necessárias?
R: Duas aplicações, com intervalo de três meses.
P: Vale a pena mesmo com poucos casos?
R: Sim. A proteção antes do verão reduz formas graves e internações.



















