Uma filhote de toninha, espécie criticamente ameaçada, foi transferida para o CRAM-FURG após encalhar no Uruguai. O caso reacende o alerta sobre a sobrevivência do menor golfinho do Atlântico Sul.
O que aconteceu com a toninha resgatada
Toninha ameaçada de extinção voltou ao centro do debate ambiental no Sul do Brasil após o resgate de um filhote em La Paloma, no Uruguai.
O animal, encontrado encalhado em 2 de dezembro, chegou nesta quinta-feira (22) ao Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Furg (CRAM-FURG), em Rio Grande.
Trata-se de um exemplar neonatal, ainda dependente da mãe para alimentação, termorregulação e aprendizado de comportamento. Sem esse cuidado, a sobrevivência em ambiente natural é praticamente nula.
Por que o resgate preocupa especialistas
Segundo a coordenadora do CRAM-FURG, Paula Canabarro, o caso segue um padrão cada vez mais comum:
“São filhotes muito jovens que perderam a mãe ou se desencontraram dela. Sozinhos, eles não conseguem sobreviver.”
O aumento de encalhes de toninhas jovens tem sido associado a:
- Capturas acidentais em redes de pesca;
- Redução das populações adultas;
- Poluição sonora e química nas áreas costeiras;
- Degradação do habitat natural.
Do Uruguai ao Litoral Sul do RS: a jornada da “Pirata”
Após o encalhe, a toninha foi levada a um centro da Universidade da República, no Uruguai, onde permaneceu por cerca de um mês. Por ter perdido parte da nadadeira dorsal, ganhou o apelido de “Pirata”.
Apesar dos cuidados iniciais, o local não possuía estrutura para um programa completo de reabilitação da espécie. Por isso, foi organizada a transferência para o CRAM-FURG, referência no Brasil no atendimento a pequenos cetáceos.
Por que o CRAM-FURG é estratégico para salvar toninhas
O CRAM-FURG é um dos poucos centros da América do Sul com experiência específica em reabilitação de toninhas. A equipe conta com:
- Veterinários especializados em mamíferos marinhos;
- Sistemas de tanques com controle térmico e salinidade;
- Protocolos de alimentação para neonatos;
- Monitoramento comportamental e fisiológico contínuo.
Mesmo com essa estrutura, especialistas admitem que as chances de reintrodução bem-sucedida ainda são baixas para filhotes órfãos.
O que muda com esse caso
O resgate reforça três pontos críticos para a conservação da espécie:
- A urgência de reduzir capturas acidentais em redes;
- A necessidade de monitoramento costeiro permanente;
- A importância da cooperação internacional entre Brasil e Uruguai.
Hoje, estima-se que existam menos de 10 mil toninhas em toda a costa do Atlântico Sul, com declínio contínuo.
Riscos futuros para a espécie
Sem mudanças estruturais, os cenários projetados indicam:
- Extinção regional em trechos do litoral sul;
- Queda acelerada da diversidade genética;
- Maior número de encalhes de filhotes.
Análise: o impacto direto para a região
Além da perda ambiental, o desaparecimento da toninha afeta:
- O equilíbrio ecológico costeiro;
- O turismo de natureza;
- Projetos científicos e educacionais;
- A imagem internacional da conservação marinha no Brasil.
Em resumo
A toninha poderá voltar ao mar?
As chances são reduzidas, pois filhotes órfãos têm dificuldade de desenvolver comportamentos naturais.
Por que essa espécie está ameaçada?
Principalmente por capturas acidentais, poluição e perda de habitat.
Onde vivem as toninhas?
Em águas costeiras rasas do Sul do Brasil, Uruguai e Argentina.



















