la pareja perfecta, la tarjeta postal,
si no somos capaces de aceptar
que sólo en la aritmética
el dos nace del uno más el uno.
Uso as palavras do poeta Argentino Julio Cortázar para iniciar essa coluna. “Por isso não seremos um casal perfeito nunca, um cartão postal. Se não somos capazes de aceitar que somente na matemática o dois nasce do um mais um”. Da mesma forma, o casal bolsa e investidor nem sempre anda afinado. Nesta semana, a nossa bolsa parece ter engatado um tango bem ao estilo argentino, correndo de um lado para outro, talvez em comemoração aos festejos de 200 anos de revolução Argentina.
Os nossos hermanos, que hoje não têm muito do que se orgulhar a respeito de sua economia, podem ao menos festejar sua bela história, sua bela música e torcer para sua famigerada seleção que sempre chega como uma das favoritas à Copa do Mundo. Agora, uma coisa é inegável: nossos hermanos são muito intensos em tudo o que fazem. Quando sua seleção perde, jogadores e a nação choram; quando o governo erra, batem panelas em frente a Casa Rosada (Palácio do Planalto deles); quando dançam, parecem viver no íntimo de sua alma essa música que se mostra trágica, andando com o rosto colado de um lado ao outro.
Por que faço essa comparação? Além da pertinência da Argentina estar comemorando esta importante data, tivemos uma semana onde a bolsa dançou de um lado para o outro numa intensidade e volatilidade bem ao estilo de um tango de Gardel. Não houve tendência e a bolsa teve: uma segunda de alta, uma terça de baixa, uma quarta de alta e uma sexta de queda. Vai entender esse mercado… E o pior é que tanto as altas quanto as quedas tiveram intensidades parecidas. Ainda assim, no final, as baixas sobrepujaram e o Ibovespa encerrou a semana com queda.
Na verdade, a semana foi mais curta em função do feriado de Corpus Christi e do feriado de segunda-feira nos EUA. Dentre as notícias negativas tivemos a China anunciando dados de atividade que, embora mais moderados, ainda apresentam expansão, trazendo preocupações sobre o risco de inflação na região e, por consequência, possibilidade de medidas para aperto monetário. Contribuindo para o humor negativo, tivemos pronunciamentos do Banco Central europeu se mostrando preocupado com a saúde financeira dos bancos da zona do euro, que, segundo estimativas do BCE, devem contabilizar perdas em torno de 195 bilhões de euros entre 2010 e 2011. Já pelo outro lado, o positivo, o que limitou as perdas trazendo boas perspectivas para o mercado, foi a agenda americana de indicadores que, em geral, se mostraram melhor do que o mercado esperava.
Acredito que o mercado esteja sem tendência definida. Ou melhor, ele parece se animar para uma nova alta, mas aí surge uma notícia daqui ou dali e ele acaba desfalecendo, errático, de um lado para outro.
Para semana que vem, o mercado pode abrir dançando a música da sexta, ou seja, a de que agora a Hungria poderia vir a enfrentar sérias dificuldades financeiras, à semelhança da Grécia. A Hungria não compactua da moeda única européia, mas ainda assim preocupou o mercado no fim da semana. Teremos ainda o Livro Bege nos EUA, divulgado pelo Federal Reserve, que relata como está a economia e sinaliza perspectivas de políticas monetárias, e os indicadores de confiança do consumidor e vendas no varejo. A China também deve roubar as atenções ao anunciar seus números de produção industrial na quinta-feira à noite.
Ficamos aguardando o bom e velho samba, sempre alegre e de alto astral. Esperamos que ele toque e traga novas altas para nossa bolsa.





















