Mesmo desativado há mais de uma década e em meio aos trâmites para concessão à iniciativa privada, o Estádio Antônio Braz Sessim, o Sessinzão, segue sendo alvo de descarte irregular de resíduos, expondo um problema ambiental e urbano que desafia o poder público enquanto o projeto de autódromo ainda aguarda avanços burocráticos.
Desativado desde 2010, o estádio com capacidade para 15 mil pessoas hoje convive com um contraste evidente: arquibancadas vazias por dentro e um acúmulo constante de lixo e entulhos em sua área externa.
O que está acontecendo no entorno do Sessinzão
Sofás, colchões, eletrodomésticos, móveis quebrados, restos de construção, galhos e lixo doméstico transformaram o entorno do estádio em um ponto recorrente de descarte irregular. Mesmo com placas indicativas de proibição, a prática se repete há anos e se intensificou com o abandono prolongado da estrutura.
Na prática, o local acabou assumindo uma função informal de depósito de resíduos, o que gera impactos ambientais, riscos à saúde pública e degradação de uma das áreas mais simbólicas de Cidreira, no Litoral Norte.
Por que o problema persiste mesmo com fiscalização
De acordo com a prefeitura, a desativação do estádio, aliada à falta de uso regular e à dificuldade histórica de controle em grandes áreas abertas, contribuiu para a recorrência do descarte irregular. A expectativa de obras futuras também criou um vácuo de responsabilidade temporária, explorado por quem descarta resíduos de forma ilegal.
Segundo o prefeito Gilberto da Costa Silva, o Beto do Litoral, o município já trabalha em medidas estruturais para enfrentar o problema.
“Além disso, o município irá intensificar a fiscalização e reforçar as ações de orientação e conscientização da população para preservar a área e evitar novos focos de descarte irregular. Sobre a concessão do estádio, o processo encontra-se em tramitação interna, dentro dos trâmites legais e administrativos. A proposta de transformação do espaço em autódromo é avaliada como uma alternativa para a recuperação da área, com potencial de fomentar o esporte, gerar desenvolvimento e impulsionar a economia local”, afirmou o prefeito.
Concessão do estádio e expectativa de revitalização
Em novembro, a Câmara de Vereadores de Cidreira autorizou o Executivo a conceder o Sessinzão à iniciativa privada por um período de até 30 anos. A medida é vista como essencial para viabilizar a recuperação da área e destravar investimentos de longo prazo.
O processo de concessão ainda está em tramitação interna, seguindo exigências legais e administrativas. A ideia central é que a concessão permita não apenas a revitalização do espaço, mas também um novo uso permanente, capaz de gerar receita, empregos e movimento econômico ao longo de todo o ano.
Projeto de autódromo: em que fase está e o que falta
Paralelamente à concessão, a Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA) conduz o projeto que prevê a transformação do Sessinzão em um autódromo de pista oval. Segundo o presidente da entidade, Arlindo Signor, o principal entrave atualmente é a elaboração de um termo de referência robusto.
“O entrave maior é na elaboração de um termo de referência, que precisa ser bem completo. São questões delicadas, de grandes investimentos e de períodos longos. Também estamos buscando investidores para o projeto. Na nossa primeira reunião da FGA em 2026, marcada para fevereiro, vamos tratar dos próximos passos. Enquanto isso, nosso jurídico dará andamento no termo de referência”, explicou Signor.
Interdição e diálogo com o Ministério Público
Outro ponto sensível é a situação legal do estádio. O espaço está interditado pelo Corpo de Bombeiros, o que exige adequações técnicas antes de qualquer intervenção. Após a conclusão do termo de referência, a FGA pretende levar o projeto ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
“Acreditamos que, com um projeto bem apresentado e alinhado com todas as partes, essas questões serão resolvidas com relativa facilidade”, avaliou Signor.
Como será o autódromo previsto para Cidreira
O projeto prevê a implantação de uma pista oval com 498 metros de extensão, maior do que uma pista tradicional de um quarto de milha. No centro do complexo, há a possibilidade de instalação de um kartódromo com escola de pilotagem.
O objetivo é garantir uso contínuo do espaço, tanto durante o verão quanto no restante do ano, ampliando o calendário esportivo e turístico da cidade.
- Pista oval de 498 metros
- Possibilidade de kartódromo central
- Escola de pilotagem integrada
- Eventos ao longo de todo o ano
Impacto econômico e esportivo esperado
Segundo a FGA, já existem conversas com categorias interessadas em competir no futuro autódromo. A Nascar Brasil, antiga GT Sprint Race, é citada como uma das principais possibilidades.
O projeto é visto como estratégico não apenas para Cidreira, mas para o automobilismo nacional. Atualmente, não há autódromos ovais em operação na América do Sul, o que colocaria o município em posição inédita no continente.
Além do esporte, a expectativa é de impacto direto na economia local, com geração de empregos, aumento do fluxo turístico e fortalecimento do comércio e da rede de serviços.
O desafio até lá: limpar e preservar
Enquanto o projeto não sai do papel, o desafio imediato do poder público é conter o descarte irregular e recuperar ambientalmente o entorno do estádio. A limpeza da área é tratada como etapa essencial para preparar o terreno para futuras obras e evitar que o problema se agrave.
A combinação entre ecopontos, fiscalização, educação ambiental e avanço nos trâmites legais será determinante para que o Sessinzão deixe de ser símbolo de abandono e passe a representar uma nova fase de desenvolvimento para Cidreira.
Em resumo
Por que o Sessinzão sofre com descarte irregular de lixo?
Porque está desativado desde 2010, tem grande área aberta e histórico de pouca ocupação, o que facilita o descarte ilegal.
O estádio já foi concedido à iniciativa privada?
A Câmara autorizou a concessão por até 30 anos, mas o processo ainda está em tramitação interna na prefeitura.
Quando começam as obras do autódromo?
Ainda não há data definida, pois o projeto enfrenta entraves burocráticos e depende da conclusão do termo de referência e da captação de investidores.






















