O Rodeio Crioulo Internacional de Osório foi adiado para 2027 após impasse jurídico, falta de recursos públicos e dificuldades operacionais.
Rodeio Internacional de Osório é empurrado para 2027
A Prefeitura de Osório confirmou nesta segunda-feira (18) o adiamento do Rodeio Crioulo Internacional de Osório para 2027.
A decisão foi tomada após reunião entre o prefeito Romildo Bolzan Júnior, integrantes do governo municipal e representantes dos piquetes de laçadores.
O evento, que inicialmente ocorreria em maio de 2026, já havia sido remarcado para julho, entre os dias 15 e 19, com redução no período total de programação.
Mesmo assim, a organização concluiu que não haveria tempo hábil nem segurança financeira para manter a realização.
Denúncia e impugnação aceleraram o adiamento
Segundo apuração, o processo de parceria para execução do rodeio passou a enfrentar questionamentos formais.
A 23ª Região Tradicionalista apresentou pedido de impugnação e também protocolou denúncia junto à Promotoria Pública.
Após análise, a Promotoria determinou que a parceria para realização do evento precisaria ocorrer por meio de edital de concorrência pública.
Com a exigência jurídica e o calendário apertado, a administração municipal optou inicialmente pelo adiamento para julho, agora não irá nem mais ocorrer em 2026.
Custos elevados pesaram na decisão
O governo municipal afirmou que o modelo atual do rodeio exige investimento considerado alto para os cofres públicos.
Além da estrutura campeira, o evento envolve gastos com:
- infraestrutura do Parque de Rodeios;
- logística para provas;
- contratação de serviços;
- segurança;
- estrutura elétrica e sanitária;
- programação cultural;
- manejo e disponibilidade de gado.
Outro ponto debatido foi a nova data proposta para julho. Os piquetes apontaram dificuldade na disponibilidade de gado para as provas campeiras durante o inverno.
Segundo a prefeitura, o município enfrenta necessidade de priorizar despesas essenciais de custeio e não consegue manter sozinho o atual formato do rodeio.
Segundo ano consecutivo sem rodeio
O cenário preocupa o tradicionalismo gaúcho porque o evento já não havia sido realizado em 2025.
Na ocasião, a justificativa também envolveu limitações financeiras.
Historicamente, o Rodeio Crioulo Internacional de Osório foi considerado um dos maiores do Rio Grande do Sul, disputando protagonismo com o rodeio de Vacaria.
O adiamento consecutivo reforça um processo de retração de um evento que movimentava turismo, hotelaria, gastronomia e comércio no Litoral Norte.
Nova comissão vai redesenhar o rodeio
Durante a reunião, ficou definida a criação de uma comissão formada por representantes dos piquetes e da prefeitura.
O grupo terá duas funções principais:
- organizar a Semana Farroupilha de 2026 no Parque de Rodeios;
- desenvolver um novo modelo para o Rodeio Internacional de 2027.
A proposta é criar uma estrutura financeiramente mais sustentável e ampliar a participação da comunidade.
O primeiro encontro da comissão está marcado para 26 de maio.
Análise do Editor
O Rodeio Crioulo Internacional de Osório já foi sinônimo de multidão, tradição e identidade cultural no Litoral Norte gaúcho. Durante décadas, o Parque de Rodeios Jorge Dariva virou ponto de encontro de famílias inteiras, que atravessavam madrugadas acompanhando provas campeiras, apresentações artísticas e tudo aquilo que transforma o tradicionalismo em experiência coletiva.
Mais do que um evento, o rodeio ajudou a construir a própria imagem de Osório no cenário gaúcho. Havia um sentimento de pertencimento em torno da festa — do cheiro da comida campeira ao movimento intenso nos acampamentos, passando pela música, pelas rodas de conversa…
Por isso, o novo adiamento não representa apenas a suspensão de uma programação. Ele simboliza o enfraquecimento gradual de um patrimônio cultural que já disputou protagonismo estadual com Vacaria e que, nos últimos anos, passou a enfrentar dificuldades cada vez mais visíveis.
O desgaste não começou agora. O cancelamento em 2025 já havia acendido um sinal de alerta. Em 2026, a tentativa de reduzir dias, mudar datas e remodelar o formato mostrava que o evento buscava sobreviver em meio a limitações financeiras e entraves administrativos. Nem isso foi suficiente.
A retirada da Tafona da Canção Nativa do parque, discutida no adiamento anterior, também evidenciava uma ruptura simbólica importante. Pequenas mudanças, quando acumuladas, acabam alterando a essência de um evento que sempre teve força justamente pela conexão entre tradição, comunidade e identidade regional.
O que se vê hoje é um rodeio tentando encontrar um novo caminho para continuar existindo sem perder a própria alma. E esse talvez seja o maior desafio daqui para frente.
Direto ao Ponto
- Evento: Rodeio Crioulo Internacional de Osório
- Nova previsão: somente em 2027
- Motivos: falta de recursos, impasse jurídico e modelo considerado caro
- Problema jurídico: Promotoria exigiu concorrência pública
- Impacto: economia e calendário cultural do Litoral Norte



















