Rio atmosférico
Rio atmosférico seguirá atuando de forma intensa sobre o Rio Grande do Sul e deve manter o estado sob chuva frequente, volumes elevados e tempo instável por muitos dias, segundo alerta da MetSul Meteorologia.
O fenômeno, também conhecido como “rio voador”, está canalizando grandes quantidades de umidade da Amazônia diretamente para o Sul do país, criando um cenário meteorológico fora do padrão para o fim de dezembro.
A persistência desse corredor de umidade tem provocado chuvas volumosas em sequência, com acumulados que já ultrapassam marcas expressivas em diversas regiões e que ainda devem aumentar de forma significativa ao longo desta semana.
O que é um rio atmosférico e por que ele preocupa
Um rio atmosférico é uma extensa e estreita faixa de ar extremamente úmido que se desloca pela atmosfera, transportando enormes volumes de vapor d’água — muitas vezes comparáveis à vazão de grandes rios na superfície terrestre. Por esse motivo, o fenômeno também recebe o nome de rio voador.
Quando esses corredores de umidade encontram condições favoráveis, como sistemas de baixa pressão ou bloqueios atmosféricos, eles provocam chuvas persistentes e intensas, com alto potencial para eventos extremos.
Bloqueio atmosférico explica o contraste entre o Sul e o Centro do Brasil
A atual configuração atmosférica tem origem em um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) posicionado sobre o Centro do Brasil. Esse sistema atua como um bloqueio, desviando a umidade amazônica para o Sul do país.
O resultado é um cenário oposto entre as regiões brasileiras: enquanto o Centro do Brasil enfrenta um fim de ano com chuva muito abaixo da média, o Rio Grande do Sul vive um período de precipitação muito acima do normal, algo incomum para a reta final de dezembro.
Volumes de chuva já impressionam em cidades gaúchas
As consequências do rio atmosférico já são evidentes. Estações meteorológicas registraram, apenas entre o domingo (21) e a madrugada e manhã desta segunda-feira (22), volumes extremamente elevados de chuva:
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Porto Lucena: 151 mm
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Porto Vera Cruz: 137 mm
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Porto Xavier: 136 mm
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Campina das Missões: 134 mm
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Santo Cristo: 132 mm
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São Paulo das Missões: 127 mm
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Santa Rosa: 114 mm
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Giruá: 110 mm
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Itaqui: 100 mm
Esses números, em muitos casos, representam grande parte ou até mais do que a média mensal esperada para dezembro.
Por quanto tempo o rio atmosférico vai continuar atuando
Os dados mais recentes de modelos meteorológicos indicam que o rio atmosférico permanecerá sobre o Rio Grande do Sul até o começo da próxima semana.
O canal de umidade seguirá oscilando em intensidade e posição, ora mais concentrado no Norte do estado, ora mais ao Sul.
A previsão aponta intensificação do fenômeno entre terça e quarta-feira, com novo reforço no próximo fim de semana, mantendo o risco elevado de chuva excessiva.
Mapas de Transporte de Vapor Integrado (IVT) mostram claramente a faixa contínua de umidade se estendendo da Amazônia até o território gaúcho ao longo de vários dias consecutivos.
Fenômeno afeta outros países e estados do Sul
A influência do rio atmosférico não se restringe ao Rio Grande do Sul. O corredor de umidade também favorece instabilidade e chuva em áreas do Nordeste da Argentina, Paraguai, Santa Catarina, Uruguai e até em partes do Centro da Argentina, ampliando o alcance dos impactos.
Principais impactos: chuva excessiva, alagamentos e cheias
O efeito mais direto do rio atmosférico é a chuva persistente, que pode variar de moderada a forte e, em alguns momentos, atingir intensidade elevada.
A MetSul Meteorologia alerta que este fim de ano pode ser marcado por acumulados excepcionalmente altos, com potencial para causar:
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Alagamentos urbanos
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Inundações em áreas ribeirinhas
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Enxurradas
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Elevação rápida de rios e arroios
Somente nesta semana, muitos municípios podem registrar mais de 100 mm de chuva, enquanto outros devem atingir 150 mm a 200 mm. Em pontos isolados, os acumulados podem variar entre 200 mm e 300 mm, com risco de volumes ainda maiores.
O Centro, Oeste e Noroeste do Rio Grande do Sul concentram o maior risco para chuva excessiva e impactos hidrológicos.
Tempo abafado e noites quentes também são consequência
Além da chuva, o rio atmosférico traz outro efeito marcante: o desconforto térmico.
O transporte de ar tropical quente e muito úmido da Amazônia deixa o tempo abafado, com sensação térmica elevada.
A alta umidade limita o aquecimento durante o dia, mas também impede o resfriamento à noite.
Com isso, as temperaturas mínimas seguem elevadas, com madrugadas sucessivas em que os termômetros não devem baixar de 22ºC a 24ºC em Porto Alegre e em diversas cidades do estado.




















