Rapadura de Santo Antônio da Patrulha sofre tarifa
A rapadura de Santo Antônio da Patrulha, símbolo do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, entrou na lista de produtos brasileiros taxados pelo governo dos Estados Unidos durante a gestão Donald Trump, devido a conflitos com o judiciário brasileiro, entre outros motivos.
Além dela, a pasta de amendoim e a paçoca também foram afetadas pelas tarifas.
Apesar de não comprometer o faturamento da DaColônia, tradicional empresa gaúcha de doces, a medida reduziu as expectativas de crescimento das exportações para o mercado norte-americano, que vinha em expansão nos últimos anos.
DaColônia: tradição familiar desde 1962
Fundada em 1962 pelos avós da atual geração de gestores, a DaColônia nasceu em Santo Antônio da Patrulha produzindo rapadura à base de melado de cana-de-açúcar.
Hoje, já na terceira geração, a empresa conta com um portfólio de aproximadamente 250 produtos, tendo o amendoim como base para a diversificação.
Mesmo com a modernização e a expansão, a rapadura de melado segue como o doce mais querido da família, sendo presença garantida nos churrascos de fim de semana.
Estrutura e produção em três estados
Atualmente, a DaColônia mantém sua principal fábrica em Santo Antônio da Patrulha, com 20 mil metros quadrados, além de outras unidades em Dom Pedro de Alcântara (RS) e Praia Grande (SC), especializadas em produtos à base de banana.
A empresa também possui centros de distribuição no Paraná e no Espírito Santo, garantindo agilidade no atendimento ao varejo em todo o país.
Exportações afetadas pelas tarifas dos EUA
As exportações da DaColônia tiveram início em 2004 para o Uruguai e, desde 2014, os Estados Unidos tornaram-se o principal destino internacional da marca.
Atualmente, as vendas externas representam cerca de 3% do faturamento, mas o mercado americano concentra mais de 20% desse volume.
Entre os 40 produtos enviados ao exterior, destacam-se a pasta de amendoim Amendo Power, amendoins doces e salgados, além da tradicional paçoca zero.
Com a taxação, a empresa prevê uma redução no ritmo de crescimento, embora não espere paralisação total das vendas.
Novos mercados em expansão
Para reduzir a dependência dos Estados Unidos, a DaColônia já abriu mercado na Argentina e busca ampliar presença no Paraguai, México, Canadá e Portugal.
Segundo a empresa, esses países apresentam forte potencial de consumo e afinidade cultural com os produtos brasileiros.
Impacto no crescimento e planos futuros
Mesmo diante do cenário internacional, a DaColônia mantém seu quadro de 940 colaboradores e não projeta cortes.
Em 2023, as exportações cresceram 120% e a meta para este ano era dobrar esse número. Com o impacto das tarifas, a projeção deve ser revisada para crescimento entre 70% e 80%.
No mercado interno, a empresa é líder nacional em pasta de amendoim, com 34% de participação no setor entre janeiro e julho.
A estratégia é continuar expandindo principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste, consolidando a presença no varejo e reforçando a imagem de parceira comercial.



















