Ponte que ligará 2 cidades do Litoral: contrato será assinado após 50 anos de espera

A ponte Rio Grande–São José do Norte voltou ao centro das atenções no Rio Grande do Sul. Após cinco décadas de espera e inúmeros impasses políticos e técnicos, o projeto…
Ponte que ligará 2 cidades do Litoral: contrato será assinado após 50 anos de espera

A ponte Rio Grande–São José do Norte voltou ao centro das atenções no Rio Grande do Sul. Após cinco décadas de espera e inúmeros impasses políticos e técnicos, o projeto de travessia a seco entre as duas cidades do Litoral Sul avança com expectativa de assinatura de contrato em outubro de 2025.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deve oficializar a contratação da Nova Engenharia, empresa de Santa Catarina vencedora da licitação de R$ 7,59 milhões para elaborar o projeto básico e executivo da obra.

A empresa terá até dois anos para definir tipo de estrutura, localização exata e viabilidade técnica. Se não houver atrasos, a conclusão da etapa está prevista para o fim de 2027.

Como será a travessia? Possibilidades em estudo

O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), aprovado em abril de 2025, apresentou três alternativas de pontes e uma de túnel submerso, além de propostas de modernização do transporte hidroviário.

As opções vão desde uma ponte estaiada até a ampliação de balsas e lanchas, com construção de novos atracadouros fora da área urbana.

A definição caberá à Nova Engenharia, que também poderá sugerir ajustes com base em impacto ambiental, custos e navegabilidade no canal do Porto de Rio Grande.

Travessia atual: filas, tarifas e tempo perdido

Atualmente, cerca de 4 mil pessoas por dia cruzam o trajeto de 5 km em lanchas. Já as balsas transportam aproximadamente 500 veículos diariamente.

  • Tempo médio da travessia: 30 minutos

  • Custo do transporte de passageiros: R$ 6,50

  • Valor da travessia de veículos: de R$ 50 a R$ 500, conforme o porte

A alternativa por terra, utilizando a BR-101 até Porto Alegre e retornando pela região de Pelotas, leva mais de 10 horas de viagem.

50 anos de espera: linha do tempo do projeto

  • 1972 – Primeiras discussões sobre a travessia, lideradas por Denis Lawson, então presidente da Câmara de Comércio de Rio Grande.

  • 1981–2002 – Tentativas de projetos de túnel e ponte, descartados por riscos ao Porto de Rio Grande.

  • 2013 – Licitação do EVTEA.

  • 2021 – Criação da Associação Pró-Ponte.

  • 2023 – Projeto incluído no PAC e recebeu R$ 10,3 milhões para avanço.

  • 2025 – Nova Engenharia vence licitação com orçamento de R$ 7,59 milhões. Assinatura prevista ainda neste ano.

Mobilização regional e esperança renovada

A mobilização popular, liderada pela Associação Pró-Ponte, foi determinante para manter o tema vivo ao longo de décadas. Jair Rizzo, presidente da entidade, lembra que já foi chamado de “louco” por acreditar no projeto:

“Foram muitas idas a Brasília, audiências públicas e pressão política. Nunca perdi a esperança. Agora estamos mais perto do que nunca de ver a ponte se tornar realidade.”

Impactos esperados na região

A futura ponte promete transformar a logística e a economia do Litoral Sul:

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  • Integração regional: ligação direta entre Rio Grande e São José do Norte.

  • Agilidade no transporte: fim da dependência exclusiva de balsas e lanchas.

  • Impulso econômico: facilitação no escoamento da produção pesqueira, agrícola e portuária.

  • Desenvolvimento urbano: novos investimentos e geração de empregos.

Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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