Polícia Civil cumpre mandados no Litoral Norte após execução de homem
Uma facção do Litoral Norte se tornou alvo de uma ofensiva da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (10), após a investigação de um homicídio em Gravataí revelar que o crime teria sido motivado por vingança.
A operação cumpre 31 mandados — 24 deles de busca e apreensão — com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) cumpre sete mandados de prisão preventiva em Torres, no Rio Grande do Sul, e em Passo de Torres, Santa Catarina.
Também há ordens judiciais em Alvorada e Charqueadas.
Ao menos quatro pessoas já foram presas, e agentes apreenderam celulares e um veículo.
A ação conta com apoio da Polícia Civil catarinense.
Como começou: investigação liga facção à morte de jovem

A Operação Jus Puniendi — expressão em latim que significa “direito de punir” — é resultado das apurações sobre a execução de um homem de 25 anos, morto dentro da própria casa, no bairro Parque Itacolomi, em Gravataí, em maio deste ano.
Segundo o delegado Pedro Ricardo Trajano de Araújo, dois atiradores invadiram a residência por volta das 5h da manhã e mataram a vítima com disparos de pistola.
Antes da ação, o grupo teria monitorado a rotina do jovem por dias.
Vídeos em poder da polícia mostram criminosos armados na frente da casa, à espreita.
O crime, segundo a investigação, não foi motivado pelo tráfico — como costuma ocorrer—, mas sim por vingança.
O que motivou o crime: morte em briga de trânsito
De acordo com a Polícia Civil, o homicídio em Gravataí teria sido uma retaliação pela morte do sogro de duas lideranças do tráfico no Litoral Norte.
A morte aconteceu em janeiro de 2023, em Torres, durante uma briga de trânsito.
A vítima da execução em Gravataí chegou a responder pelo caso na Justiça, ao lado de outros dois acusados, mas foi absolvida em júri popular.
Após o julgamento, mudou-se de Torres — mas teria sido localizada pela facção.
“Quando souberam que ele estava solto, passaram a monitorá-lo e decidiram matá-lo”, explica o delegado Trajano.
Como a vítima foi localizada: adolescente foi usada como isca
A investigação aponta que os criminosos utilizaram uma adolescente como isca.
Ela teria conversado com o jovem pelas redes sociais, marcado um encontro e repassado à facção detalhes da rotina dele, incluindo o endereço da residência.
A partir dessas informações, o grupo planejou a execução em uma casa em Torres.
Dois homens foram enviados ao município de Gravataí para matar a vítima.
O corpo só foi encontrado horas depois, próximo ao anoitecer.
Alvos da operação
Entre os principais alvos estão:
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Duas lideranças da facção, que já estavam foragidas e tiveram novas prisões decretadas;
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Articuladores da execução, responsáveis por repassar informações e coordenar ações;
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Um suspeito de guardar armas utilizadas no crime;
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Outro investigado por fornecer o veículo utilizado para execução;
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A dupla identificada como responsável pelos disparos;
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A adolescente usada como isca, que ainda não teve mandado de internação expedido.
A maior parte dos mandados é cumprida em Torres, onde estão cinco dos alvos de prisão.
Polícia reforça importância da operação para conter a violência
O diretor do DHPP, delegado Mario Souza, reforça que a operação tem papel estratégico para impedir a continuidade de crimes violentos na região:
“A ação de hoje é de fundamental importância para a manutenção da paz social e ordem pública, uma vez que os investigados atuam com violência e não serão toleradas a prática de crimes dolosos contra a vida pela DHPP.”





















