Polícia Civil cumpre mandados em Capão da Canoa contra organização que aplicava golpes imobiliários

Polícia Civil deflagra Operação Columbus no RS A Polícia Civil desarticulou um esquema de fraudes imobiliárias e financeiras no RS, com a deflagração da Operação Columbus, realizada nesta quarta-feira (11/12)…
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Foto: Polícia Civil/Divulgação

Polícia Civil deflagra Operação Columbus no RS

A Polícia Civil desarticulou um esquema de fraudes imobiliárias e financeiras no RS, com a deflagração da Operação Columbus, realizada nesta quarta-feira (11/12) pela Delegacia de Polícia de Canela.

O foco da ação foi desmantelar uma rede criminosa que atuava com fraudes imobiliárias, estelionato, crimes contra o sistema financeiro e manipulação de processos judiciais.

Ao todo, 70 policiais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais nas cidades de Capão da Canoa, Canela, Gramado e São Francisco de Paula.

Além disso, houve bloqueio de bens do investigado e das empresas a ele vinculadas.

Como funcionava o esquema

A investigação, que durou meses, apontou que o proprietário de uma construtora local liderava o esquema, envolvendo múltiplas pessoas jurídicas formalmente distintas, mas sob controle centralizado.

O objetivo era desviar pagamentos, ocultar patrimônio e frustrar execuções judiciais.

Segundo apurado, o modus operandi criminoso seguia quatro etapas:

  1. Captação de clientes: eram oferecidos empreendimentos com preços atrativos e ampla divulgação para atrair compradores.

  2. Desvio de recursos: as obras eram iniciadas e posteriormente paralisadas, com os valores arrecadados sendo desviados para novas aquisições de terrenos.

  3. Intimidação de vítimas: clientes que buscavam seus direitos eram coagidos e ameaçados, permitindo que os recursos fossem apropriados.

  4. Fraudes administrativas: a empresa promovia negativações indevidas de clientes em órgãos de proteção ao crédito, criava títulos de crédito falsos e cobrava multas ilegítimas em distratos, mesmo de clientes adimplentes.

Irregularidades e prejuízos

Entre as práticas ilícitas, foram constatadas:

  • Abandono sistemático de obras, inclusive de prédios públicos.

  • Venda de imóveis em duplicidade ou sem regularização legal.

  • Publicidade enganosa e falsificação de documentos.

  • Criação de títulos de crédito falsos para gerar negativações indevidas.

  • Esbulho possessório em terrenos vizinhos.

  • Tentativa de recuperação judicial fraudulenta para proteger patrimônio.

O total de prejuízos diretos supera R$ 6,4 milhões, considerando vendas sob investigação, abandono de obras, negativações e não pagamento a fornecedores.

Prisão e apreensões

O proprietário da construtora foi preso durante a operação.

Foram apreendidos documentos, veículos, incluindo um automóvel de luxo, e decretado o arresto de todos os bens imóveis registrados em nome dele, de sua companheira e das empresas vinculadas.

O objetivo é garantir reparação aos lesados e impedir a dissipação de recursos ilícitos.

O delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Polícia de Canela, destacou a importância da operação:

“Esta é uma importante investigação que é resultado de ocorrências policiais registradas na Delegacia de Polícia de Canela, bem como denúncias encaminhadas ao órgão policial nos últimos anos, dando conta de diversos golpes possivelmente praticados pela construtora. A operação de hoje reforça o compromisso da Polícia Civil em combater a criminalidade organizada, especialmente aquela que afeta diretamente o patrimônio e a confiança dos nossos cidadãos”, destacou Medeiros.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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