Petrobras está com um novo ciclo de estudos exploratórios da estatal na Bacia de Pelotas.
A companhia planeja perfurar até 10 poços exploratórios de petróleo e gás natural, todos localizados a mais de 150 quilômetros da costa do Rio Grande do Sul, o que afasta, ao menos neste momento, riscos diretos ao litoral.
O projeto envolve 29 blocos exploratórios arrematados pela Petrobras em dezembro de 2023 e está atualmente na fase de licenciamento ambiental junto ao Ibama, uma das etapas mais rigorosas e determinantes para qualquer avanço em águas profundas no Brasil.
Licenciamento ambiental começou antes de novos blocos na Bacia de Pelotas
O processo de autorização ambiental teve início em abril de 2025, antes mesmo de a Petrobras adquirir outros três blocos adicionais na Bacia de Pelotas, reforçando o interesse estratégico da estatal na região Sul.
Em junho de 2025, o Ibama emitiu o termo de referência que define os critérios para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) — documento fundamental para avaliar riscos ambientais, impactos socioeconômicos e medidas de mitigação.
Segundo o instituto, o termo tem validade de um ano, podendo ser prorrogado mediante solicitação formal da empresa. Isso significa que a Petrobras precisa tomar uma decisão concreta sobre a continuidade do projeto até junho de 2026.
Quando a Petrobras pode perfurar no litoral do RS?
Mesmo com o avanço inicial, o cronograma é longo.
Após a entrega dos estudos ambientais, o Ibama tem até um ano para analisar o pedido de perfuração.
Durante esse período, o órgão pode solicitar complementações técnicas, e a Petrobras terá até quatro meses para responder a cada demanda.
Considerando todos os prazos — que não são corridos e podem sofrer ajustes —, especialistas do setor estimam que a primeira perfuração só deve ocorrer em 2028, caso não haja atrasos significativos ou entraves ambientais.
Atualmente, a estatal concentra seus esforços regulatórios na tentativa de obter autorização para perfurar na Foz do Amazonas, considerada prioridade estratégica no portfólio exploratório da companhia.
O que diz a Petrobras sobre a exploração no Sul
Em nota oficial, a Petrobras afirmou que está em “fase inicial de estudos na Bacia de Pelotas” e que espera reunir, até 2028, um conjunto robusto de dados geológicos e geofísicos para embasar a decisão sobre a perfuração dos poços.
A companhia reforçou ainda que o licenciamento ambiental foi iniciado “considerando todas as etapas e prazos inerentes ao processo”, sinalizando cautela e alinhamento com as exigências dos órgãos reguladores.
Pesquisas no mar já começaram, mas sem perfuração
Embora a perfuração ainda esteja distante, atividades de pesquisa no subsolo marinho já estão em andamento.
A empresa Shearwater, com sede na Noruega e especializada em mapeamento sísmico offshore, já atua na região, coletando dados para identificar possíveis acumulações de petróleo e gás.
Outras companhias internacionais também se preparam para iniciar operações semelhantes na Bacia de Pelotas. Importante destacar que essas atividades não envolvem perfuração, mas apenas levantamentos geofísicos, considerados de menor impacto ambiental.
Por que a Bacia de Pelotas desperta interesse?
A Bacia de Pelotas é vista como uma fronteira exploratória promissora, ainda pouco estudada em comparação com outras regiões do pré-sal brasileiro.
A expectativa do setor é que novos dados sísmicos possam revelar estruturas geológicas semelhantes às encontradas em áreas produtivas do Atlântico Sul.
Caso as reservas sejam confirmadas no futuro, a exploração pode representar impactos econômicos relevantes para o Rio Grande do Sul, incluindo geração de empregos, arrecadação de royalties e fortalecimento da cadeia de óleo e gás — sempre condicionados às exigências ambientais.





















