Nos últimos dias, casos de pancreatite possivelmente associados ao uso de canetas emagrecedoras passaram a ocupar espaço nos noticiários e nas redes sociais, despertando dúvidas e preocupações na população. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga mortes suspeitas relacionadas à condição, o que ampliou o debate sobre segurança medicamentosa e efeitos adversos.
A pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão fundamental para a digestão e para o controle da glicose no sangue. Pode surgir de forma aguda, súbita e potencialmente grave, ou evoluir para a forma crônica, com danos permanentes ao órgão.
Causas da pancreatite
Entre as principais causas da pancreatite, estão os cálculos biliares, o consumo excessivo de álcool e alterações metabólicas. Também pode ocorrer pancreatite medicamentosa, associada ao uso de determinados fármacos — incluindo medicamentos utilizados para perda de peso.
Situações como jejum prolongado e rápida perda ponderal podem favorecer a formação de cálculos biliares, aumentando o risco. Há ainda casos de pancreatite autoimune e outras causas menos frequentes.
Sintomas da pancreatite
Os sintomas podem surgir de forma intensa e exigem avaliação médica imediata. Entre os principais, estão:
- Dor abdominal intensa, geralmente na parte superior do abdômen, podendo irradiar para as costas;
- Náuseas e vômitos persistentes;
- Febre e taquicardia;
- Sensibilidade à palpação abdominal;
- Em casos graves, queda da pressão arterial e sinais de falência de órgãos.
“Os sintomas não são exclusivos da pancreatite e podem ser confundidos com outras doenças gastrointestinais. No entanto, dor abdominal intensa e persistente associada a sinais sistêmicos é motivo para atendimento de urgência”, explica o cirurgião geral Samuel de Sousa Gregório, professor de Medicina da Anhanguera.
Diagnóstico da pancreatite
O diagnóstico da pancreatite é baseado na avaliação clínica associada a exames laboratoriais e de imagem. “Exames de sangue avaliam a dosagem das enzimas pancreáticas, como amilase e lipase, que costumam estar elevadas na fase aguda. A ultrassonografia pode identificar cálculos biliares e descartar outras causas de dor abdominal. Já a tomografia ou a ressonância magnética permitem avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações, como necrose ou pseudocistos”, detalha Samuel de Sousa Gregório.
Tratamento da doença
A confirmação do diagnóstico é essencial para iniciar o tratamento adequado, que inclui controle da dor, hidratação intravenosa e suporte nutricional, além do tratamento da causa identificada. “O uso de qualquer medicamento deve ocorrer sob orientação médica. Diante de sintomas sugestivos de pancreatite, é fundamental procurar atendimento imediato para avaliação e início precoce do tratamento”, finaliza Samuel de Sousa Gregório.
Por Camila Crepaldi





















