O Brasil há muito vem tentando uma reforma no Conselho e, com ela, a sua inclusão como membro permanente. Entretanto, o presidente Obama não demonstrou entusiasmo ao pleito e, diplomaticamente, tangenciou a investida, dizendo apenas que o seu país está pronto para uma contribuição a tudo que convergir à paz (engraçado – como diz Millor – os americanos são defensores intransigentes da paz, mas estão sempre envolvidos numa guerrinha).
Acho que o Governo perde o seu tempo para vender o sonho de o Brasil se tornar membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (onde já está, aliás, como membro provisório e a semana que passou até se absteve de votar no caso da Líbia do “cumpanheiro” Kadafi, como era chamado pelo presidente sucedido pela senhora Dilma).
O Brasil insiste em esquecer que o Conselho de Segurança da ONU, em tese, tem a responsabilidade de garantir a paz mundial e é composto por 15 países, que apreciam se existe alguma ameaça internacional e decidem como contê-la.
Em certas situações, a decisão não pode ser contestada pelos países da Organização das Nações Unidas. Isso vale para embargo econômico, como foi feito contra o Iraque em 1991, por ter invadido o Kuwait, e intervenção militar, exatamente como ocorreu na Guerra da Coréia.
Quando da criação da ONU, após a Segunda Guerra decidiram formar o Conselho de Segurança, do qual os aliados Rússia, Reino Unido, EUA e França, mais a China, se tornaram os membros permanentes. O resto é escumalha e figuras praticamente decorativas, pois têm pouquíssima força para opinar, sem falar na transitoriedade dos modestos dois anos.
Nas votações, é preciso que 9 dos 15 países digam “sim” ou “não” para a decisão ter eficácia. Mas os membros permanentes têm direito individual de vetar qualquer proposta. Em 2003, por exemplo, os EUA vetaram uma resolução que exigiria a retirada de tropas israelenses da Faixa de Gaza.
Existem assim duas espécies de integrantes do Conselho de Segurança: aqueles que têm o poder de veto – e, amiúde, não se entendem –, em número de cinco, e os outros 10, que, embora votem, pouco ou nada valem. Nesta fileira, está o nosso Brasil, junto com a Colômbia, Gabão, Nigéria e outros menos abjetos.
Reverter este jogo é o que pretende embalado por sonhos oníricos a nossa pátria mãe gentil, oitava maravilha, desculpe, economia do mundo, ingenuamente esquecendo que em briga de cachorro grande guaipeca não entra.
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Os ministros Guido Mantega, Edison Lobão, Aloizio Mercadante e Fernando Pimentel, abandonaram o encontro da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos sem assistir o discurso do presidente dos EUA, indignados com a revista feita pela segurança da comitiva de Obama. Correto: a tradição de levar dinheiro nas ceroulas não deve ser exposta à mídia mundial.



















