“Jabuticabinha”: apelido usado por monitor em mensagens a aluna leva caso à polícia no Litoral

Um monitor de escola da rede municipal de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, está sendo investigado pela Polícia Civil após o envio de mensagens consideradas inadequadas…
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Um monitor de escola da rede municipal de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, está sendo investigado pela Polícia Civil após o envio de mensagens consideradas inadequadas a uma aluna.

O homem, de 60 anos, foi afastado das funções depois que a mãe da criança encontrou as conversas no celular da filha e procurou as autoridades.

O caso começou a ser revelado na quarta-feira (11), quando a mãe decidiu verificar o aparelho da menina.

Entre as mensagens, havia textos enviados por um número desconhecido que chamaram a atenção pelo tom íntimo e pelas tentativas de manter o diálogo em segredo.

Nas conversas, o monitor se referia à aluna como “jabuticabinha”, dizia que iria “abraçá-la bem forte” e demonstrava ciúmes de um colega da menina.

Em vários trechos, também pedia que a estudante apagasse as mensagens “para a mãe não ver e ficar braba”.

Como a mãe descobriu as mensagens?

“Jabuticabinha”: apelido usado por monitor em mensagens a aluna leva caso à polícia no Litoral 10

Segundo relato da mãe à polícia, a descoberta aconteceu enquanto ela monitorava o celular da filha.

Em um dos áudios, a menina questiona o apelido usado pelo monitor. “Eu sou fruta agora pra estar me chamando de jabuticabinha?”, teria dito a criança.

A resposta do suspeito, segundo a mãe, foi: “É uma fruta muito gostosinha, docinha”.

Ao continuar lendo as mensagens, a mulher percebeu que o homem havia pedido diversas vezes para que a aluna apagasse partes da conversa.

O que aconteceu após a denúncia?

Depois de descobrir o conteúdo, a mãe procurou a direção da escola na quinta-feira (12). A Secretaria Municipal de Educação de Torres informou que o monitor foi imediatamente afastado das funções.

De acordo com a secretária de Educação, Rosa Lumertz, também foi aberto um procedimento administrativo interno para apurar o caso.

A Polícia Civil iniciou investigação por suspeita de assédio com finalidade de praticar ato sexual com criança, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Celular e computador foram apreendidos

Na manhã desta sexta-feira (13), policiais cumpriram mandados e apreenderam um celular e um computador na residência do investigado.

Segundo a investigação, o homem teria apagado as mensagens antes de entregar o aparelho. Mesmo assim, o telefone foi encaminhado para perícia para tentativa de recuperação dos conteúdos.

Em nossas apurações com fontes ligadas à investigação, a análise digital do aparelho é considerada um dos pontos centrais para confirmar a extensão das conversas.

Por que o monitor não foi preso?

O suspeito foi ouvido pela Polícia Civil e liberado.

De acordo com o delegado Marcos Veloso, responsável pelo caso, as conversas analisadas até o momento são consideradas inadequadas, mas ainda não configuram crime de forma conclusiva.

“As conversas são absolutamente inadequadas, porém ainda não podemos enquadrar como crime com base nas provas atuais”, explicou o delegado.

A investigação segue com novas diligências, incluindo o depoimento especial da criança e análise do material apreendido.

Conselho Tutelar acompanha o caso

O Conselho Tutelar passou a acompanhar a situação da família. A mãe e a criança devem receber acompanhamento psicológico.

Em depoimento, a mulher relatou o impacto emocional da descoberta.

“Quando é um filho nosso, a dor é vinte vezes pior. É uma dor na alma. E se eu não tivesse descoberto? Até onde ele iria?”, desabafou.

Análise do Editor

Casos como o investigado em Torres expõem um fenômeno cada vez mais observado por autoridades: o uso de aplicativos de mensagem para aproximação gradual de menores.

Quem acompanha investigações desse tipo sabe que muitas ocorrências começam justamente com conversas aparentemente ambíguas ou apelidos considerados “carinhosos”. A evolução do diálogo, muitas vezes, é o que determina o enquadramento criminal.

Por isso, a perícia digital no celular apreendido pode ser decisiva. Se mensagens apagadas forem recuperadas e indicarem intenção sexual ou tentativa de encontro, o caso pode ganhar um enquadramento penal mais grave.

Outro ponto relevante é o papel da vigilância familiar. Neste episódio, foi justamente a verificação do celular pela mãe que interrompeu a interação e levou o caso às autoridades.

Resumo Rápido

P: O que aconteceu em Torres?
R: Um monitor escolar é investigado por enviar mensagens consideradas inadequadas a uma aluna.

P: Como o caso foi descoberto?
R: A mãe encontrou as conversas ao verificar o celular da filha.

P: O suspeito foi preso?
R: Não. Ele foi ouvido e liberado porque, até agora, as provas não configuram crime de forma definitiva.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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