Mamangava europeia: pesquisa alerta para risco de invasão no RS

Mamangava europeia A mamangava europeia Bombus terrestris, considerada uma das espécies invasoras mais perigosas do Cone Sul, voltou ao centro das discussões após a divulgação de novos resultados científicos que…
Mamangava europeia: pesquisa alerta para risco de invasão no RS
Foto: Arquivo pessoal/Sidia Witter

Mamangava europeia

A mamangava europeia Bombus terrestris, considerada uma das espécies invasoras mais perigosas do Cone Sul, voltou ao centro das discussões após a divulgação de novos resultados científicos que apontam risco elevado de chegada ao Rio Grande do Sul.

A apresentação foi realizada pela pesquisadora Sidia Witter, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), durante o XIV Encontro sobre Abelhas, em Ribeirão Preto (SP), um dos eventos mais importantes do país sobre polinizadores.

A ameaça da Bombus terrestris e o impacto ambiental no Cone Sul

A espécie invasora, já introduzida no Chile e registrada na Argentina, tem histórico de causar transformações profundas nos ecossistemas onde se estabelece. Entre os impactos mais preocupantes apontados pela pesquisadora estão:

  • Competição direta com mamangavas nativas, reduzindo populações locais;

  • Alteração da polinização de cultivos e plantas silvestres, afetando a produtividade agrícola e a biodiversidade;

  • Transmissão de patógenos, que coloca em risco a saúde de espécies polinizadoras brasileiras.

Segundo Sidia Witter, o avanço continental da B. terrestris segue uma tendência que já preocupa pesquisadores de todo o Cone Sul e exige monitoramento constante.

Perda acelerada do campo nativo e suas consequências no Pampa

Os dados apresentados pela pesquisadora mostram um cenário que favorece a preocupação: as áreas de campo nativo na fronteira entre Rio Grande do Sul e Uruguai sofreram redução de 23% entre 2000 e 2024, de acordo com a plataforma MapBiomas.

Esse processo é impulsionado principalmente pela expansão de lavouras temporárias, sobretudo as plantações de soja.

A diminuição dos campos naturais provoca dois efeitos diretos:

  1. Reduz o habitat das mamangavas nativas, fundamentais para o equilíbrio do bioma Pampa;

  2. Cria barreiras ecológicas que influenciam a dispersão da espécie invasora, alterando as rotas naturais e potencialmente facilitando sua entrada em determinados pontos.

Projeto gaúcho intensifica monitoramento na fronteira Brasil–Uruguai

Desde março de 2025, o DDPA/Seapi coordena um robusto projeto de monitoramento nas áreas estratégicas da fronteira sul.

O trabalho inclui:

  • Expedições bimestrais para identificar populações nativas de Bombus;

  • Mapeamento das plantas mais visitadas pelas mamangavas locais;

  • Acompanhamento de rotas potenciais de entrada da espécie invasora;

  • Cultivo de leguminosas atrativas no Cesimet, em Hulha Negra, para observar as interações ecológicas de forma controlada.

O objetivo é antecipar possíveis avanços da Bombus terrestris e desenvolver estratégias de prevenção e conservação.

Encontro nacional reforça importância da pesquisa científica sobre polinizadores

O XIV Encontro sobre Abelhas reuniu pesquisadores, pós-graduandos e especialistas de todo o país para apresentar estudos e debater as principais ameaças e desafios à conservação de abelhas e mamangavas.

A programação contou com:

  • Palestras de especialistas internacionais;

  • Simpósios sobre biologia, ecologia e conservação;

  • Discussões sobre impactos ambientais, mudanças climáticas e espécies invasoras.

A participação do DDPA reforça o protagonismo científico do Rio Grande do Sul na pesquisa sobre polinizadores.

Resultados iniciais reforçam urgência de proteção às mamangavas do Pampa

Os primeiros resultados da pesquisa apresentada por Sidia Witter confirmam a necessidade de fortalecer ações de conservação e vigilância ambiental na fronteira.

A chegada da mamangava europeia ao Brasil poderia desencadear impactos graves e duradouros no bioma Pampa, considerado um dos mais delicados do país.

A continuidade do monitoramento e a ampliação de estudos são essenciais para impedir que a Bombus terrestris se estabeleça no território brasileiro e coloque em risco espécies nativas fundamentais para a agricultura e a biodiversidade.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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