Malbec: Como uma cidade da praia virou peça-chave da internet da Meta

Balneário Pinhal entra na rota global da internet com cabo internacional de 20 Tbps e passa a disputar data centers, empregos qualificados e investimentos bilionários. O cabo submarino Malbec começou…
Malbec
Foto: Cabo submarino Malbec chegará ao litoral do RS com investimento bilionário

Balneário Pinhal entra na rota global da internet com cabo internacional de 20 Tbps e passa a disputar data centers, empregos qualificados e investimentos bilionários.

O cabo submarino Malbec começou a mudar a paisagem de Balneário Pinhal antes mesmo de tocar a água. Ruas abertas, valas discretas e operários trabalhando em silêncio anunciam algo raro: dados do mundo inteiro vão passar por ali.

Não é exagero. A partir de 2027, o município do Litoral Norte deve se tornar a primeira porta de entrada direta de um cabo internacional no Rio Grande do Sul, conectando a região à espinha dorsal da internet do Cone Sul.

Na prática, é como se a cidade deixasse de ser “fim de linha” e virasse um entroncamento digital estratégico.

O que é o cabo Malbec e por que ele é diferente?

O Malbec é um cabo submarino da V.tal contratado para atender a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp.

Ele chega pelo mar, entra por Balneário Pinhal e segue até Porto Alegre, integrando o Estado à malha internacional que hoje já passa por Rio, São Paulo e Buenos Aires.

  • Capacidade: 20 terabits por segundo (Tbps)
  • Função: tráfego internacional de dados
  • Destino: grandes plataformas digitais e nuvem
  • Diferencial: primeiro ponto direto no território gaúcho

Traduzindo: menos caminho, menos atraso. Menos latência significa internet mais rápida e estável, principalmente para serviços pesados como vídeo, jogos online e inteligência artificial.

Por que escolheram Balneário Pinhal?

Geografia ajudou?

Sim. O solo é pouco íngreme, a praia é próxima da Capital (cerca de 105 km) e facilita a ligação terrestre até Porto Alegre.

Para empresas de telecom, isso significa obra mais barata e manutenção mais simples.

Vai ter impacto ambiental?

Segundo o projeto, o cabo fica protegido no fundo do mar e, em terra, passa por dutos semelhantes a tubulações hidráulicas, com cortes estreitos no solo.

É infraestrutura pesada, mas discreta.

O que Balneário Pinhal realmente ganha com isso?

A entrada do cabo não gera imposto automático para a prefeitura. Esse é o detalhe que quase ninguém fala.

O ganho é indireto — e potencialmente muito maior.

  • Atração de data centers
  • Interesse de empresas de tecnologia
  • Demanda por mão de obra qualificada
  • Pressão por cursos técnicos e institutos federais
  • Valorização imobiliária silenciosa

O exemplo mais citado é Eldorado do Sul, onde um data center de IA projeta investimento de R$ 3 bilhões.

Quando um cabo desses chega, o recado para o mercado é claro: “a infraestrutura já está pronta, pode investir”.

Esse cabo melhora minha internet em casa?

Indiretamente, sim. Operadoras passam a ter rotas mais curtas e baratas, o que melhora estabilidade e pode reduzir custos no médio prazo.

Só a Meta vai usar?

Não. Apesar de ser a âncora do projeto, a estrutura pode beneficiar outros provedores e países vizinhos como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Isso pode gerar empregos locais?

Principalmente em tecnologia, manutenção de redes, segurança digital e construção de data centers. O efeito é gradual, não imediato.

Análise do Editor

Quem vive o Litoral Norte sabe: cidades pequenas costumam depender do verão. Três meses cheios, nove meses vazios.

Infraestrutura digital muda esse jogo.

Cabo submarino é o tipo de ativo que atrai empresas o ano inteiro, não só turistas. Se Balneário Pinhal conseguir emplacar um data center ou um campus técnico, cria uma economia menos sazonal.

Minha aposta: nos próximos 24 meses veremos disputa silenciosa entre municípios vizinhos oferecendo terreno, incentivos e energia barata para hospedar servidores.

Quem se organizar primeiro leva o jackpot.

E tem outro detalhe estratégico: com IA, streaming e nuvem crescendo forte em 2026 e 2027, a demanda por tráfego só explode. Estar perto do “cano principal” dos dados virou vantagem competitiva.

Resumo Rápido

P: Quando o cabo começa a operar?
R: A previsão é conclusão e operação a partir de 2027.

P: Qual a capacidade?
R: Até 20 Tbps de transmissão internacional.

P: Qual o maior benefício local?
R: Atrair data centers, empresas de tecnologia e empregos qualificados.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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