Lixo que vira gás: o biometano no Rio Grande do Sul está prestes a ganhar protagonismo com a entrada em operação da primeira planta gaúcha dedicada à produção do combustível renovável em aterros sanitários.
O projeto-piloto da CRVR (Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos), localizado em Minas do Leão, na Região Carbonífera, poderá transformar o lixo de 85 municípios em uma fonte estratégica de energia limpa para indústrias.
A nova planta, chamada Biometano Sul, é resultado de um investimento de R$ 150 milhões e poderá gerar por dia a quantidade de gás equivalente a 12,5 mil botijões, com foco no atendimento à demanda industrial do Estado.
O local já aguarda apenas as licenças finais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para iniciar a operação.
Energia limpa com alta eficiência energética
A produção de biometano utiliza o gás metano oriundo da decomposição do lixo orgânico.
A planta instalada em Minas do Leão receberá diariamente cerca de 5 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, dos quais metade é composta por material orgânico.
Ao se decompor, esse resíduo gera biogás, que contém aproximadamente 55% de metano.
Esse biogás passará por um processo de depuração, com remoção de umidade, ajuste de temperatura e extração de outros gases, até atingir uma concentração superior a 90% de metano — transformando-se em biometano de alta qualidade, com desempenho equivalente ao gás natural distribuído hoje no Estado pelo gasoduto Brasil-Bolívia.
Segundo o diretor da Biometano Sul, Rafael Salamoni, a eficiência do projeto chega a 90%, superior à da energia solar e da eólica.
A produção só é interrompida para manutenções programadas.
Impacto ambiental e meta de expansão até 2030
A substituição do gás natural por biometano pode evitar a emissão de 1 milhão de toneladas de gases de efeito estufa ao longo de 15 anos.
Isso equivale à poluição anual gerada por uma cidade de porte médio.
A ideia é que, até 2030, novas plantas sejam instaladas nos outros quatro aterros da Companhia — São Leopoldo, Santa Maria, Giruá e Victor Graeff — ampliando a produção para 250 mil metros cúbicos por dia, o que representa 10% da demanda atual de gás natural no RS.
O diretor-executivo da CRVR, Leomyr Girondi, destaca que a companhia está se posicionando como a principal alternativa de substituição do gás natural fóssil, em um contexto de crescente demanda por soluções descarbonizantes por parte da indústria.
Lixo que vira gás: investimentos em biometano no Estado
Além da planta em Minas do Leão, outros projetos de biometano no Rio Grande do Sul estão em andamento.
Em Capão do Leão, está prevista a construção de uma usina de 100 hectares, com operação prevista para 2027 e produção inicial estimada em 400 mil m³/mês.
Já em Triunfo, outro projeto foca na conversão de resíduos agroindustriais em energia.
A diversificação da matéria-prima e a descentralização das usinas fortalecem o setor e tornam o biometano um vetor relevante na transição energética gaúcha.
Como o lixo se transforma em biometano
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Depósito: Cerca de 5 mil toneladas de lixo são descartadas diariamente no aterro de Minas do Leão.
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Decomposição: 50% desse volume é material orgânico, que gera biogás (55% metano, 35% gás carbônico, 10% outros).
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Captação: Poços e tubulações sugam o biogás até a planta.
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Purificação: Umidade e gases indesejáveis são removidos.
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Resultado: O metano é concentrado em mais de 90%, gerando o biometano.
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Distribuição: O combustível é comprimido, armazenado em cilindros e transportado às indústrias.





















