Litoral Sul do Rio Grande do Sul virou centro de uma das mais avançadas pesquisas ambientais em alto-mar do país.
Desde novembro, baleias e golfinhos que circulam pela Bacia de Pelotas estão sendo monitorados por telemetria via satélite para avaliar possíveis impactos da pesquisa sísmica realizada no oceano Atlântico, em águas profundas do RS.
O trabalho é conduzido pela ONG Kaosa, contratada pela empresa norueguesa TGS, responsável pela atividade sísmica licenciada pelo Ibama, com apoio logístico a partir do Porto de Rio Grande.
Como funciona o monitoramento de baleias e golfinhos no Litoral Sul?
A telemetria permite a coleta remota de dados em tempo real, por meio de sensores instalados diretamente nos animais. Os equipamentos acompanham:
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Rotas de deslocamento
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Padrões de mergulho
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Áreas de alimentação e reprodução
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Reações comportamentais em períodos com e sem atividade sísmica
Segundo a TGS, os dados serão cruzados com o cronograma da operação para identificar possíveis alterações fisiológicas ou comportamentais.
“Essas informações ajudam a avaliar impactos de atividades humanas e a identificar áreas de importância biológica, apoiando medidas de conservação marinha”, explica Laura Viana, gerente ambiental da TGS.
Quais espécies estão sendo acompanhadas na Bacia de Pelotas?
O estudo começou antes do início da pesquisa sísmica, atendendo exigências ambientais do Ibama. As espécies monitoradas incluem:
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Baleia-cachalote
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Baleia-piloto-de-nadadeiras-longas
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Boto-de-Lahille, espécie ameaçada de extinção
A inclusão do boto ocorreu por recomendação direta do Ibama, devido à sua vulnerabilidade e ocorrência no litoral gaúcho.
Como os transmissores são instalados nos animais?
Devido ao grande porte das espécies, a instalação é feita sem captura direta. O método mais comum utiliza:
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Dardos pneumáticos
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Aplicação à distância, a partir de embarcações
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Fixação temporária na pele do animal
A técnica já é utilizada com sucesso pela Kaosa no projeto Botos da Lagoa dos Patos, referência nacional em monitoramento do boto-de-Lahille.
“Conseguimos estimar abundância, estabilidade populacional e acompanhar eventos importantes da vida desses animais”, afirma Pedro Fruet, da ONG Kaosa.
Impacto para pescadores e comunidades do Litoral Sul
Além do monitoramento ambiental, a Kaosa iniciou um intenso diálogo com comunidades pesqueiras do sul do RS.
Nos últimos dias, equipes percorreram cerca de 2.500 quilômetros, visitando:
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Rio Grande
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São José do Norte
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Pelotas
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São Lourenço do Sul
Os encontros esclareceram dúvidas sobre a localização da pesquisa sísmica, que ocorre em mar aberto, sem interferir em:
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Períodos de pesca artesanal
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Rotas de navegação
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Áreas tradicionais de pesca
“Havia receio de que a operação fosse na Lagoa dos Patos ou próxima a Pelotas. O diálogo presencial foi essencial para reduzir a insegurança”, destaca Isabel Gonçalves, oceanóloga da Kaosa.
O que é a pesquisa sísmica realizada no litoral do RS?
A pesquisa sísmica funciona como uma ultrassonografia do fundo do mar. Ainda não há confirmação de petróleo na região.
O processo envolve:
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Emissão de ondas sonoras
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Reflexão nas camadas geológicas do subsolo marinho
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Captação por sensores para mapear estruturas profundas
Dados técnicos da operação:
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📍 Menor distância da costa: cerca de 95 km de Mostardas
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🌊 Profundidade mínima: 200 metros
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📐 Área licenciada: 105 mil km²
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🚢 Base logística: Porto de Rio Grande
Outra empresa norueguesa, a Shearwater, também atua na região em parceria com a Searcher Seismic, em uma área adicional de 17,3 mil km², igualmente autorizada pelo Ibama.
Dados técnicos do monitoramento (Resumo rápido)
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Região: Bacia de Pelotas – Litoral Sul do RS
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Espécies: Baleias-cachalote, baleias-piloto e boto-de-Lahille
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Tecnologia: Telemetria via satélite
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Objetivo: Avaliar impactos da pesquisa sísmica
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Operadora: TGS (Noruega)
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Fiscalização: Ibama
EM RESUMO (FAQ)
A pesquisa sísmica acontece perto da costa do RS?
Não. A operação ocorre em alto-mar, a pelo menos 95 km da costa, sem impacto direto na pesca artesanal.
Baleias e golfinhos correm risco?
O monitoramento foi exigido pelo Ibama justamente para avaliar e mitigar riscos, com acompanhamento contínuo.
A pesquisa confirma a existência de petróleo no RS?
Não. A sísmica apenas mapeia o subsolo marinho para identificar potenciais áreas.



















