Litoral Norte terá Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa
Após 102 foragidos presos, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul apresentou, nesta sexta-feira (12), um balanços da luta contra os homicídios no Estado e anunciou a instalação do Litoral Norte terá Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa no Litoral Norte, prevista para entrar em funcionamento em 2026.
A Operação Cerco Fechado prendeu fugitivos procurados por assassinato entre 24 de novembro e 11 de dezembro.
A ofensiva mobilizou aproximadamente 300 policiais civis, que realizaram diligências em Porto Alegre, Região Metropolitana e diferentes cidades do interior.
Um mês de investigação
Entre escolas, hospitais, comércios e pontos de tráfico, equipes do DHPP monitoraram alvos considerados de altíssima periculosidade.
Somente na Capital foram feitas 63 prisões; outras 22 ocorreram na Região Metropolitana e 17 no interior.
O diretor do DHPP, delegado Mario Souza, destacou que todos os detidos possuíam condenação por homicídio e eram monitorados sem levantar qualquer suspeita. Segundo ele, as prisões se somam a um total de 1.014 capturas realizadas em 2024, representando um dos períodos mais efetivos da história recente do departamento.
Souza também ressaltou que Porto Alegre completou três anos consecutivos com índices de homicídio abaixo do considerado epidêmico pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Cidades como Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Rio Grande e Novo Hamburgo também atingiram o mesmo patamar.
Após 102 foragidos presos no RS, Litoral Norte terá base própria do DHPP
Durante a coletiva foi confirmado que o Litoral Norte terá, pela primeira vez, uma unidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A nova estrutura será instalada na região de Atlântida Sul, em Osório, em parceria com a Divisão de Homicídios do Interior (DHI).
A subchefe da Polícia Civil, delegada Patrícia Tolotti, afirmou que o Litoral Norte tem registrado demandas crescentes ligadas a organizações criminosas, especialmente durante os períodos de veraneio, quando a população aumenta drasticamente.
A presença de uma equipe permanente focada em homicídios é vista como essencial para agilizar investigações e garantir respostas mais rápidas.
Protocolo das Sete Medidas: a engrenagem que sustenta a queda dos homicídios
Os resultados positivos estão diretamente ligados ao Protocolo Estadual das Sete Medidas Contra Homicídios, que integra:
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transferência de presos entre unidades estaduais e federais,
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asfixia financeira de facções,
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operações de saturação em áreas críticas,
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indiciamento de mandantes,
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ações de inteligência,
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aumento de revistas em presídios,
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combate à lavagem de dinheiro.
Inspirado na teoria da Dissuasão Focada, o modelo pressiona financeiramente e operacionalmente as facções, atingindo a cadeia de comando desde os executores até os chefes.
A estratégia busca impedir que líderes ordenem novos assassinatos, combinando repressão, inteligência e monitoramento sistemático.
A base teórica: EUA, Colômbia e agora Rio Grande do Sul
O criador da metodologia, o criminologista norte-americano David Kennedy, tornou-se referência ao reduzir drasticamente os homicídios em Boston nos anos 1990.
O método também ganhou destaque em Medellín, na Colômbia, que em 2023 registrou o menor índice de violência em quatro décadas após aplicar políticas de dissuasão focada.
No RS, o DHPP, em conjunto com a Brigada Militar e a Polícia Penal, tornou-se pioneiro no uso desse modelo no Brasil.
Os números da Operação Cerco Fechado consolidam o método como uma das respostas mais eficazes no combate aos homicídios no Estado.
Litoral Norte: por que a região tornou-se prioridade?
O Litoral Norte concentra fatores que elevam a complexidade investigativa:
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forte fluxo populacional na temporada de verão;
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atuação de facções concorrentes;
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conflitos por pontos de tráfico;
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grande circulação de foragidos durante o período de férias.





















