Litoral é alvo de operação que investiga licitações milionárias e uso de laranjas

Litoral: esquema milionário em licitações é alvo de operação. A Polícia Civil investiga fraudes em licitações no Rio Grande do Sul e deflagrou, nesta segunda-feira (1º), a Operação Laranjal 2,…
Litoral é alvo de operação que investiga licitações milionárias e uso de laranjas

Litoral: esquema milionário em licitações é alvo de operação.

A Polícia Civil investiga fraudes em licitações no Rio Grande do Sul e deflagrou, nesta segunda-feira (1º), a Operação Laranjal 2, que resultou na prisão de dois empresários suspeitos de se beneficiar de contratos públicos por meio do uso de laranjas.

Operação Laranjal 2 investiga esquema milionário com uso de falsos sócios e violação de direitos trabalhistas

O esquema, segundo as autoridades, movimenta mais de R$ 60 milhões em contratos firmados com o Poder Público.

A operação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (DPRCAPM), com apoio do Ministério Público e da Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage).

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão preventiva em Mostardas, Porto Alegre e Butiá, incluindo medidas cautelares como sequestro de bens e indisponibilidade de veículos de luxo.

Empresários reincidentes no centro de novas investigações

Os alvos da operação já são investigados pela Polícia Federal na Operação Camilo e pelo Ministério Público na primeira Operação Laranjal.

Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam o nome de um laranja que aparece formalmente como sócio de duas empresas, para ocultar a verdadeira propriedade das companhias.

O homem utilizado como laranja, vive em uma casa de madeira modesta, não possui veículos ou habilitação, mas constava como dono de empresas com capital social de R$ 1,4 milhão, incompatível com seu padrão de vida.

A investigação também identificou que os empresários adquiriram um veículo Lexus de R$ 400 mil, registrado em nome de uma das empresas, reforçando a suspeita de ocultação patrimonial.

Litoral é alvo de mandados

De acordo com a Polícia Civil, o esquema envolvia diversas práticas fraudulentas:

  • Uso de “laranjas” para gerir empresas com contratos públicos;

  • Simulação de concorrência: as duas empresas enviaram lances utilizando o mesmo endereço de IP em ao menos 37 pregões e dispensas eletrônicas, apesar de declararem sedes diferentes;

  • Ocultação patrimonial e aquisição de bens de luxo em nome das empresas;

  • Dumping social: violação de direitos trabalhistas, com atraso ou não pagamento de salários, encargos e benefícios, reduzindo artificialmente custos e prejudicando trabalhadores;

  • Associação criminosa e falsidade documental para mascarar a verdadeira propriedade das empresas.

Segundo o delegado Augusto Zenon, responsável pela investigação, a prática de dumping social compromete a dignidade humana e constitui uma forma de concorrência desleal perversa, explorando a vulnerabilidade dos trabalhadores.

O diretor do Dercap, delegado Cassiano Cabral, ressaltou que “são empresários/criminosos que lesam cofres públicos e violam direitos humanos. Sem respostas firmes, como a prisão, cria-se a sensação de impunidade”.

Prefeitura de Mostardas emite comunicado

Em contato com o Litoralmania, a prefeitura de Mostardas se manifestou.

“A Prefeitura de Mostardas esclarece que a Operação Laranjal 2, realizada pela Polícia Civil, não possui qualquer vínculo com a Administração Municipal.

Nenhuma das empresas investigadas possui ou já possuiu contratos ou cadastros em licitações no município.

✔️ Transparência sempre: todos os processos licitatórios estão disponíveis no LICITACON”.

Histórico de fraudes e operações anteriores

Operação Camilo (2020)

A Polícia Federal já havia investigado uma das empresas por desvio de recursos da saúde em Rio Pardo.

A investigação apontou o uso de um laranja no comando da empresa, confirmando a prática recorrente de ocultar a verdadeira titularidade dos negócios.

Operação Laranjal I

O Ministério Público Estadual apurou contratos também com o Estado e a Prefeitura de Porto Alegre, no valor de R$ 34 milhões, também usando laranjas para mascarar a verdadeira propriedade e ocultar patrimônio.

A investigação detectou não cumprimento de obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias, configurando atos lesivos à administração pública.

Impacto da Operação Laranjal 2 no RS

A Operação Laranjal 2 evidencia como fraudes estruturadas em licitações afetam diretamente os cofres públicos, serviços essenciais e trabalhadores.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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