Cianobactérias explodem na Lagoa do Peixoto em Osório

A Lagoa do Peixoto, em Osório, voltou ao mapa crítico da balneabilidade no Rio Grande do Sul. O motivo não é apenas a impropriedade para banho, mas um dado que…
Lagoa do Peixoto
Foto: Rogério Reinheimer Bernardes/Litoralmania - Lagoa do Peixoto

A Lagoa do Peixoto, em Osório, voltou ao mapa crítico da balneabilidade no Rio Grande do Sul. O motivo não é apenas a impropriedade para banho, mas um dado que preocupa especialistas: 344.774 células/ml de cianobactérias — quase sete vezes acima do limite de segurança de 50 mil.

Em nossas apurações, técnicos confirmaram que o cenário indica eutrofização avançada, resultado do excesso de nutrientes na água, geralmente ligado a esgoto irregular e períodos prolongados de calor.

Por que a Lagoa do Peixoto foi considerada imprópria?

A classificação segue critérios técnicos definidos pelas resoluções do Conama 274/2000 e Conama 357/2005, que utilizam como parâmetro principal a bactéria Escherichia coli (E.coli).

Mas há um detalhe que muita gente desconhece: em alguns balneários do Estado — incluindo Pelotas, Tapes, Arambaré, Barra do Ribeiro e São Lourenço do Sul — também se considera a presença de cianobactérias.

Os números que pesaram contra o banho

  • Limite seguro: 50.000 células/ml
  • Índice encontrado: 344.774 células/ml
  • Excesso: quase 7 vezes acima do permitido

Os gêneros predominantes identificados foram Raphidiopsis sp. e Aphanocapsa sp., ambos potenciais produtores de toxinas que podem causar desde irritações na pele até intoxicações agudas e efeitos crônicos.

Como funciona a análise da balneabilidade?

O que muita gente não sabe é que o resultado não depende de uma única coleta.

O boletim considera as cinco semanas anteriores de monitoramento. O ponto é classificado como impróprio se:

  • Duas ou mais amostras ultrapassarem 800 E.coli;
  • A amostra mais recente superar 2.000 E.coli;
  • Ou a contagem de cianobactérias exceder 50 mil células.

Ou seja, não é um susto isolado — é tendência consolidada.

Quais são os riscos reais à saúde?

A exposição pode causar:

  • Irritação nos olhos e na pele
  • Problemas gastrointestinais
  • Dores de cabeça e febre
  • Em casos prolongados, danos hepáticos

Crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis.

O que vimos na prática: o padrão que se repete

Quando a contagem de cianobactérias dispara nesse patamar, geralmente estamos diante de três fatores combinados:

  • Calor intenso prolongado
  • Baixa renovação de água
  • Alta carga de nutrientes

Recomendações oficiais aos banhistas

  • Entrar apenas em locais próprios para banho;
  • Evitar as primeiras 24h após chuvas intensas;
  • Não se banhar onde há concentração visível de algas;
  • Redobrar atenção com crianças e idosos.

Resumo Rápido

P: A Lagoa do Peixoto está própria para banho?
R: Não. A concentração de cianobactérias ultrapassou o limite seguro.

P: Qual o risco principal?
R: Possível intoxicação por toxinas produzidas por Raphidiopsis e Aphanocapsa.

P: Pode melhorar nas próximas semanas?
R: Depende da redução de nutrientes e de condições climáticas mais favoráveis.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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