Justiça condena envolvidos em tráfico de drogas no Litoral Sul
A sentença, proferida pela 1ª Vara Federal de Rio Grande, colocou um ponto final em uma investigação que atravessou três estados do Sul do país e revelou um método sofisticado utilizado para transportar cocaína para o exterior por meio do Porto de Rio Grande, no Litoral Sul.
As apurações conduzidas pela Polícia Federal demonstraram que o grupo fazia uso de técnicas subaquáticas para ocultação da droga — um modus operandi difícil de detectar.
Rede interestadual e transnacional: como o grupo operava
A investigação teve início em 2022, quando a PF recebeu informações preliminares sobre um esquema que conectava integrantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O objetivo: aproveitar as estruturas do Porto de Rio Grande para despachar carregamentos de cocaína para fora do país.
Com o avanço das diligências, os policiais descobriram que os criminosos utilizavam mergulhadores profissionais para acessar a chamada “caixa de mar” dos navios — um compartimento externo, abaixo da linha d’água, usado para resfriamento do motor e sistemas internos da embarcação.
Justamente por ser um espaço de difícil inspeção e acesso limitado, o local é considerado ideal para esconder drogas em operações de tráfico internacional.
O grupo investigado pela Operação Escafandria replicava técnicas já vistas em portos da Europa, Caribe e África, demonstrando conhecimento técnico, articulação logística e capacidade de atuação internacional.
Apreensão na Espanha
O desfecho investigativo ganhou força em agosto de 2023, quando uma carga de 198 kg de cocaína — preparada e embarcada pelo grupo no Porto de Rio Grande — foi interceptada pela Guarda Civil da Espanha no Porto de Las Palmas.
A apreensão internacional reforçou a tese da PF: tratava-se de uma organização com atuação além das fronteiras brasileiras, utilizando o porto gaúcho como corredor estratégico para abastecer o mercado europeu.
Sentenças e penas: condenações entre 7 e 24 anos
Com base nas provas reunidas ao longo de dois anos, a Justiça Federal sentenciou todos os 12 investigados.
Eles foram condenados por crimes relacionados à associação para o tráfico com transnacionalidade.
As condenações variam de 7 a 24 anos de prisão, com a maior parte dos réus iniciando o cumprimento em regime fechado.




















