Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas despenca novamente e atinge a menor marca da série histórica
A Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas voltou a cair em novembro e alcançou 47,9 pontos, consolidando o nono recuo mensal consecutivo e renovando a menor marca de toda a série histórica do indicador.
Os dados foram divulgados pela Fecomércio-RS, com base em pesquisa conduzida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizada em Porto Alegre nos dez dias que antecederam o mês de referência.
O resultado mantém o índice muito abaixo da linha dos 100 pontos, patamar que separa a percepção otimista da pessimista.
Quanto mais distante desse nível, maior o grau de desconfiança das famílias em relação à economia, ao mercado de trabalho e às condições de consumo.
O que é o ICF-RS e como funciona o indicador
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é composto por sete componentes, que avaliam diferentes dimensões do comportamento do consumidor:
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Mercado de trabalho (2 indicadores)
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Consumo (3 indicadores)
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Perspectivas futuras (2 indicadores)
A pontuação varia de 0 a 200 pontos. Leituras abaixo de 100 indicam percepção negativa, enquanto valores próximos de zero refletem pessimismo extremo, cenário atualmente observado no Rio Grande do Sul.
Queda mensal e tombo anual reforçam cenário preocupante
Em relação a outubro de 2025, o índice registrou queda de 1,0%.
Na comparação com novembro de 2024, a retração é ainda mais expressiva: -22,1%, evidenciando um processo prolongado de deterioração da confiança do consumidor gaúcho.
Dos sete componentes que formam o ICF, quatro apresentaram recuo na margem, justamente aqueles de maior peso na composição do índice.
Acesso a crédito, renda e emprego puxam a piora do índice
Entre os destaques negativos de novembro estão:
Acesso a Crédito
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72,0 pontos
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-3,0% em relação a outubro
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-14,2% na comparação anual
Renda Atual
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77,8 pontos
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-2,8% na margem
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-11,7% frente a novembro de 2024
Situação do Emprego
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75,0 pontos
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-1,3% no mês
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-10,9% no acumulado de 12 meses
Apesar das quedas, esses três componentes ainda figuram entre os menos negativos dentro do índice, o que evidencia que o cenário geral é amplamente desfavorável.
Perspectiva de consumo e consumo atual permanecem em níveis críticos
Outro fator que pesou negativamente foi a Perspectiva de Consumo, que fechou novembro aos 54,0 pontos, com retração de 1,2% em relação ao mês anterior e expressivo recuo de 30,7% na comparação anual.
Já o Consumo Atual ficou estável na margem, aos 38,4 pontos, mas segue em patamar extremamente baixo, acumulando queda de 27,6% frente a novembro de 2024.
Indicadores sobem, mas seguem em patamar extremamente deprimido
O recuo do índice geral só não foi mais intenso devido ao avanço de dois componentes que, mesmo com alta, permanecem em níveis críticos:
Momento para Compra de Bens Duráveis
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7,5 pontos
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+14,5% em relação a outubro
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-65,8% na comparação anual
Perspectiva Profissional
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10,9 pontos
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+18,1% no mês
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-48,3% frente a novembro de 2024
Os números indicam que, apesar de uma leve melhora na percepção futura, o consumidor ainda não se sente seguro para assumir compromissos financeiros de maior prazo.
Fecomércio-RS avalia deterioração persistente da confiança
Para o presidente da Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, os dados deixam claro que o pessimismo das famílias se tornou estrutural.
“Tanto pelo patamar muito aquém do ano passado quanto pelo movimento na margem, fica clara a continuidade da deterioração da confiança das famílias para consumir. As famílias parecem perceber condições mais difíceis de manter o poder de compra, mesmo com a sustentação do emprego e da renda e um alívio recente da inflação, sobretudo de alimentos”, avaliou.
Segundo ele, diante de um cenário que não sinaliza melhora no curto prazo, a cautela deve seguir pautando as decisões de compra, mesmo que o consumo não desapareça por completo.
Cautela deve continuar guiando o comportamento do consumidor
A leitura do ICF-RS de novembro reforça a avaliação de que o consumo das famílias no Rio Grande do Sul seguirá contido, com preferência por gastos essenciais e postergação de compras de maior valor.
O cenário de incerteza econômica, aliado à percepção de restrições no crédito e perda de poder de compra, mantém o consumidor em estado de alerta.





















