Indústria ameaça parar operação no Litoral; entenda

Uma indústria gaúcha ameaça parar operação se a dragagem da hidrovia não for realizada ainda em 2025, segundo comunicado da Unifértil, principal usuária do porto de Porto Alegre há 53…
Indústria ameaça parar operação no Litoral; entenda
Foto: Unifértil/Divulgação

Uma indústria gaúcha ameaça parar operação se a dragagem da hidrovia não for realizada ainda em 2025, segundo comunicado da Unifértil, principal usuária do porto de Porto Alegre há 53 anos.

Indústria gaúcha enfrenta entrave no Litoral do RS

A empresa enfrenta há quase um ano uma grave crise de abastecimento em suas plantas de fertilizantes em Canoas, causada pelo excesso de sedimentos nos canais de Itapuã, Leitão e Pedras Brancas, além de entraves no Canal Feitoria, próximo a Rio Grande, no Litoral Sul.

De acordo com o documento enviado à Portos RS na última sexta-feira (22), a empresa alerta para a necessidade de uma intervenção urgente e emergencial, sob risco de desmobilizar investimentos históricos na região e transferir suas operações para outros portos, como Imbituba (SC), São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá (PR).

Impactos econômicos e logísticos

A Unifértil detalha que o polo Metropolitano de Porto Alegre já vem sofrendo uma desmobilização acelerada nos últimos dez anos, com o fechamento de diversas operações de fertilizantes.

Caso a situação persista até o final de 2025, a empresa aponta que não terá alternativa a não ser encerrar operações deficitárias em Canoas e Porto Alegre, prejudicando ainda mais a economia local e a cadeia de abastecimento regional.

O documento alerta ainda que o aumento do custo logístico via transbordo de barcaças ou transporte rodoviário pelo Porto de Rio Grande torna inviável a continuidade das operações sem a dragagem imediata da hidrovia.

Busca por portos alternativos

Em meio à crise, a Unifértil informa estar, “infelizmente”, considerando outros portos no Sul do Brasil.

Entre as opções estão Imbituba e São Francisco do Sul, em Santa Catarina, e Paranaguá, no Paraná.

A mudança significaria um impacto direto em contratos, fretes e logística, além de representar um desafio histórico para a indústria gaúcha que atua no porto de Porto Alegre há mais de cinco décadas.

Posicionamento do governo estadual

Em resposta, o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, explicou que o edital para contratação da empresa responsável pela dragagem foi aberto na última sexta-feira (22), com prazo de propostas até sexta-feira (29).

Segundo Costella, já existe uma batimetria detalhando os sedimentos a serem removidos — que podem chegar a 700 metros cúbicos — e o serviço deve começar em setembro, com prazo máximo de seis meses para conclusão.

Embora o cronograma ultrapasse o prazo apontado pela Unifértil, o secretário garante que a obra deve permitir à empresa manter suas operações no Estado, evitando a migração para outros portos.

“O prazo final é de seis meses, conforme determina o Funrigs, fundo destinado a obras de reconstrução. Os recursos para dragagens vêm deste fundo”, explicou o secretário.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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