Inadimplência no RS voltou a subir em fevereiro e trouxe um alerta importante sobre a saúde financeira das famílias gaúchas. Mesmo com uma leve queda no endividamento geral, mais pessoas passaram a atrasar contas.
O dado aparece na mais recente pesquisa da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS). Segundo o levantamento, 27% das famílias estão com contas em atraso, acima dos 26,3% registrados em janeiro.
O aumento chama atenção porque ocorre em um momento em que o nível geral de endividamento apresentou leve queda, passando de 84,9% para 84,7% das famílias gaúchas.
Em comparação com fevereiro do ano passado, porém, a diferença é mais significativa: em 2025, o índice era de 88,6%.
Por que a inadimplência no RS está aumentando?
O principal fator observado pelos analistas é o uso cada vez mais amplo do crédito no dia a dia.
Cartões de crédito continuam liderando com folga como principal origem das dívidas entre os gaúchos.
- Cartão de crédito: 60,1%
- Carnês / cartões de loja: 51,3%
- Financiamento de carro: 7,7%
- Financiamento de casa: 6%
- Crédito pessoal: 4,8%
- Crédito consignado: 3%
- Outras dívidas: 0,7%
- Cheque especial: 0,4%
- Cheque pré-datado: 0,2%
Um detalhe curioso chamou atenção na pesquisa: os carnês aparecem como a segunda maior origem das dívidas.
Mas, na prática, não se trata exatamente daqueles carnês de papel comuns décadas atrás.
Segundo a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, muitos consumidores classificam como carnê os chamados cartões de loja, bastante comuns em redes varejistas.
O efeito silencioso dos múltiplos cartões
Durante entrevista à Rádio Gaúcha, Patrícia Palermo destacou um fenômeno que vem crescendo silenciosamente: o acúmulo de cartões de crédito e cartões de lojas.
Segundo ela, esse comportamento amplia o acesso ao crédito, mas também aumenta o risco de descontrole financeiro.
“Quando meu pai era jovem, ele olhava para o bolso e via se tinha dinheiro ou não. Era um limitador natural do consumo”, explicou.
Hoje, porém, a lógica mudou. Com vários cartões disponíveis, o consumidor precisa controlar o próprio fluxo de caixa — algo que muitas famílias acabam não fazendo.
Quando esse controle falha, o resultado é conhecido tanto no mundo das empresas quanto na vida pessoal: dívidas acumuladas e contas atrasadas.
Quem mais sofre com a inadimplência
Os dados mostram que a situação continua mais delicada entre famílias com renda de até 10 salários mínimos.
Mesmo assim, a inadimplência avançou em ambas as faixas de renda analisadas pela pesquisa.
Isso sugere que o problema não está restrito apenas à baixa renda, mas também à forma como o crédito vem sendo utilizado no dia a dia.
Análise do Editor
Quem acompanha a evolução da inadimplência no Brasil percebe um padrão recorrente: o endividamento pode cair enquanto a inadimplência sobe.
Isso acontece porque muitas famílias deixam de assumir novas dívidas, mas continuam com dificuldades para pagar compromissos antigos.
No caso do Rio Grande do Sul, há ainda fatores adicionais que pressionam o orçamento doméstico, como recuperação econômica lenta em alguns setores e o impacto recente de eventos climáticos.
Outro ponto importante é a expansão do crédito fácil via aplicativos, cartões e limites automáticos.
Essa oferta ampliada facilita o consumo imediato — mas aumenta o risco de desorganização financeira quando a renda não acompanha.
Se o cenário de juros elevados continuar, a tendência é que a inadimplência permaneça pressionada ao longo de 2026.
Resumo Rápido
P: O endividamento caiu no RS?
R: Sim. Passou de 84,9% para 84,7% das famílias em fevereiro.
P: A inadimplência aumentou?
R: Sim. Subiu de 26,3% para 27% das famílias com contas em atraso.
P: Qual é a principal origem das dívidas?
R: Cartões de crédito lideram com 60,1%, seguidos por carnês ou cartões de loja.





















