Os investidores até que entenderam, mas acreditar que os esforços do governo irão surtir efeito, são outros 500! Por mais repetitivo que pareça, “nunca antes na história desse país”, parafraseando nosso ex-presidente Lula, vivemos um momento tão bom e com perspectivas de continuidade de crescimento. Temos visto uma forte expansão do crédito, pessoas comprando fogão, geladeira, televisão, computadores, carros, apartamentos, etc. O brasileiro tem viajado como nunca! Tudo isso graças a: renda, confiança e crédito.
Mas parece que os agentes do governo tem buscado ampliar seu conhecimento e resolveram expandir sua fronteira de conhecimento literário para além do corolário de Marx e Keynes. Acredito que o ministro Guido Mantega tem buscado ler as idéias de economistas e pensadores tal como Frederick August von Hayek. Hayek foi um economista da chamada Escola Austríaca que, apesar de ter sido socialista quando jovem, percebeu que estava num caminho errado e após isso fez contribuições valiosíssimas para o pensamento liberal. Poi bem segue uma passagem de Hayek:
O “boom” se inicia com a expansão de crédito…
Os juros caem…
Esse novo papel moeda é confundido com dinheiro real que pode ser emprestado
Mas é apenas a inflação que está elevando o valor dos ativos…
Esses são investidos em setores como a construção imobiliária…
O “boom” planta a semente da futura destruição…
A poupança não é real o consumo está alto…
A busca por recursos revela que eles são escassos
Então… o “boom” vira “bust” quando os juros aumentam…
Com o alto custo de produção, os sinais que os preços indicam se mostram errados…
O “boom” foi apenas um período de luxúria…
Não estou aqui querendo fazer apologia a algum tipo de bolha, até porque creio que de fato esta não é nossa realidade. Estamos longe disso. Temos crescido porque temos intituição sociais, políticas e de mercado que nos permitem fazê-lo. É claro que temos muito a ajustar, as contas públicas são um exemplo, a elevada carga tributária também é, entre outros.
No entanto, todo crescimento tem seus efeitos, uma vez que o crescimento não é espraiado a todos setores igualitariamente. É por isso que temos visto empresas de setores exportadores esbravejando contra o atual patamar da taxa de câmbio e a falta de medidas eficazes por parte do Banco Central em conter essa queda. É por isso que temos visto outras empresas sofrendo com a concorrência de produtos importados, que chegam aqui mais baratos do que nunca.
Mas justiça seja feita, apesar das críticas o governo tem observado os movimentos de que forte queda da taxa de câmbio e de expansão de crédito e, dentro do possível, tem buscado agir. Por isso ministro Guido Mantega tentou passar essa mensagem ao mercado: hold your horses! Essa semana as medidas foram: (i) aumento de IOF para operações de crédito para Pessoa Física o que deverá encarecer principalmente as operações de crédito de maior valor e prazos mais longos (sobretudo automóveis e crédito consignado); (ii) ampliar a taxação sobre os empréstimos no exterior, estendendo para 2 anos o prazo das captações sujeitas à alíquota de 6% de IOF na tentativa brecar a queda do dólar em meio à forte entrada de capitais no país.
Se essas medidas vão ou não dar certo ninguém sabe. Até o presente momento os “band-aid´s” do governo não tem conseguido segurar essas essas enxurradas de dólares que entram no país e nem o fluxo de recursos que fluem para os agentes de nossa economia.
Analista da XP Investimentos




















