Golpistas do Litoral Norte do RS foram o alvo de uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal, que mirou uma quadrilha especializada em golpes digitais, extorsão e movimentação financeira suspeita.
O grupo, que atuava a partir de diversas cidades do Rio Grande do Sul, criava sites falsos de acompanhantes e, depois de atrair vítimas, as aterrorizava com ameaças atribuídas falsamente ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação revelou que os criminosos atuavam com alta sofisticação tecnológica e mobilidade interestadual, movimentando mais de R$ 2,6 milhões em pouco tempo — e mantendo vítimas em medo constante para forçar pagamentos.
A ação policial desta quinta-feira (6) cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e três ordens de prisão preventiva em seis cidades do RS e em Itapema, Santa Catarina.
Dois suspeitos foram capturados em Osório, enquanto um terceiro permanece foragido.
✅ Como funcionava o golpe: sedução, pressão psicológica e extorsão violenta
Segundo a equipe da 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, tudo começava em um site de acompanhantes totalmente falso, criado pela própria quadrilha. Ali, perfis fictícios com fotos de mulheres jovens e atraentes eram usados para atrair possíveis clientes.
Mas quem conversava com as vítimas não eram mulheres — eram os próprios criminosos.
Após iniciar contato por meio do site, os golpistas migravam a conversa para o WhatsApp, passando então a aplicar o núcleo mais violento do esquema: a extorsão com suposto vínculo ao PCC.
De acordo com o delegado Welington Barros Pereira, responsável pela investigação:
“Eles se passavam por uma garota que atendia clientes. Quando a vítima demonstrava interesse, passavam a ameaçá-la dizendo ser do PCC. Alegavam que ela havia ‘atrapalhado o trabalho da menina’ e que deveria pagar para não morrer, junto com a própria família.”
As ameaças vinham acompanhadas de fotos, áudios, vídeos e até perfis falsos que reforçavam a suposta ligação com a facção criminosa.
✅ A vítima que deu início à investigação: terror psicológico e transferências bancárias
O caso que desencadeou a operação começou em Brasília, quando um morador da capital federal passou a receber ameaças constantes após interagir com o site falso de acompanhantes.
Em pânico, chegou a transferir R$ 1 mil para os criminosos — mas isso não interrompeu as chantagens. Pelo contrário: os golpistas aumentaram a pressão e seguiram exigindo novos pagamentos.
Sem saída, ele procurou a polícia, que passou a monitorar movimentações bancárias e digitais do grupo.
A quebra de sigilo revelou uma rede muito maior do que se imaginava.
✅ Quadrilha movimentou mais de R$ 2,6 milhões e pode ter vítimas em todo o Brasil
Com acesso às transações, os investigadores descobriram que o grupo movimentou pelo menos R$ 2,6 milhões através de contas ligadas aos integrantes da quadrilha.
A soma elevada chamou a atenção da Polícia Civil, que acredita que existem muitas outras vítimas no país, ainda não identificadas.
Os mandados cumpridos nesta quinta-feira podem revelar:
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novos envolvidos,
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possíveis laranjas,
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fluxos de lavagem de dinheiro,
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evidências de golpes praticados em outros estados.
Computadores, celulares, cartões bancários e documentos apreendidos passarão por perícia.
✅ Cidades do RS foram base da quadrilha: Litoral Norte entre os principais pontos de atuação
A investigação apontou que o grupo articulava golpes a partir de diferentes cidades gaúchas.
Cidades com mandados no Rio Grande do Sul:
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Osório
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Arroio do Sal
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Tramandaí
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Torres
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Esteio
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Sapucaia do Sul
Além disso, houve operação também em Itapema (SC).
✅ Dois presos em Osório; um suspeito segue foragido
Entre os três mandados de prisão preventiva, dois foram cumpridos em Osório, no Litoral Norte.
Os nomes dos presos não foram divulgados, mas ambos responderão por:
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extorsão,
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lavagem de dinheiro,
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organização criminosa.
O terceiro investigado, que também seria um operador financeiro dentro do esquema, não foi encontrado e permanece foragido.
✅ Operação “Fake Faction”: o desmonte da falsa facção
A ação foi batizada de Fake Faction, termo em inglês que significa “falsa facção”.
O nome simboliza a principal estratégia dos criminosos: o uso fraudulento do nome do PCC para provocar medo nas vítimas e aumentar o poder de coerção.
A operação foi conduzida pela 5ª DP do Distrito Federal, com apoio total da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, responsável pelo cumprimento dos mandados e pela logística operacional nas cidades do Sul.
✅ Investigações continuam e devem revelar ainda mais vítimas
Com o alto volume de transações identificadas e o material apreendido na operação, a Polícia Civil acredita que novas vítimas serão encontradas, assim como possíveis ramificações do grupo.
A expectativa é de que o trabalho avançado de perícia digital revele:
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listas de contatos,
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históricos de conversas,
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rotas financeiras,
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possíveis parceiros,
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outras plataformas utilizadas nos golpes.
A investigação segue em andamento.



















