Golpistas que clonaram um site de financiamento de veículos e aplicaram falsos boletos são alvo de operação da Polícia Civil gaúcha nesta terça-feira (19).
O esquema investigado pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas causou prejuízo superior a R$ 300 mil e atingiu vítimas em diferentes regiões do Brasil.
Como funcionava o golpe do falso boleto
Segundo a investigação, os criminosos criavam uma cópia praticamente idêntica do site oficial de um banco especializado em financiamento automotivo.
O endereço falso aparecia entre os primeiros resultados do Google após buscas relacionadas à quitação de veículos.
De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, os criminosos utilizavam publicidade paga para posicionar o site clonado acima até mesmo do endereço verdadeiro.
Vítimas eram direcionadas para atendimento no WhatsApp
Ao acessar o portal falso, a vítima selecionava a opção de quitar parcelas ou encerrar o financiamento.
Na sequência, era redirecionada para um atendimento via WhatsApp, onde os golpistas se passavam por funcionários da instituição financeira.
Durante a conversa, eram solicitados:
- CPF;
- E-mail;
- Dados cadastrais;
- Código de verificação.
O detalhe técnico que permitia a fraude
O ponto central do golpe era o acesso à conta verdadeira da vítima no sistema oficial do banco.
Com os dados fornecidos no WhatsApp, os criminosos iniciavam o processo de recuperação de senha da conta legítima.
Sem perceber, a vítima autorizava a troca da senha ao informar códigos enviados por e-mail ou SMS.
Com acesso liberado, o grupo conseguia visualizar:
- Saldo devedor do financiamento;
- Parcelas pendentes;
- Dados completos do contrato;
- Valor exato para quitação.
A partir dessas informações, os criminosos emitiam um boleto falso extremamente convincente, com valor correto do financiamento.
O dinheiro pago não era direcionado ao banco verdadeiro.
Vítimas só descobriam fraude após novas cobranças
O golpe era percebido apenas quando o banco legítimo continuava cobrando parcelas do veículo.
Uma servidora pública perdeu R$ 22 mil no esquema.
Outros 11 casos já foram identificados pela polícia, mas os investigadores acreditam que o número real de vítimas seja maior.
Operação da Polícia Civil cumpre mandados em São Paulo
A ofensiva coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul ocorre em:
- São Paulo;
- Guarulhos;
- Piracicaba;
- Carapicuíba.
Foram expedidos:
- 9 mandados de prisão;
- 17 mandados de busca e apreensão.
Até o momento, cinco pessoas foram presas.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados.
Celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos passarão por perícia para identificação de novos envolvidos e possíveis vítimas.
Como evitar cair no golpe do financiamento falso
A Polícia Civil reforça que consumidores devem redobrar a atenção ao buscar serviços financeiros pela internet.
Sinais de alerta
- Sites patrocinados aparecendo acima do endereço oficial;
- Atendimento exclusivo via WhatsApp;
- Pedido de códigos de confirmação;
- Boletos emitidos por terceiros;
- Pressa para pagamento.
Cuidados antes de pagar um boleto
- Confirme o domínio oficial do banco;
- Verifique o cadeado de segurança no navegador;
- Cheque o CNPJ e destinatário do boleto;
- Nunca informe códigos recebidos por SMS ou e-mail;
- Prefira acessar o banco diretamente pelo aplicativo oficial.
Direto ao ponto
- Prejuízo identificado: mais de R$ 300 mil;
- Mandados cumpridos: 9 prisões e 17 buscas;
- Cidades da operação: São Paulo, Guarulhos, Piracicaba e Carapicuíba;
- Origem da investigação: 3ª DP de Canoas;
- Golpe: clonagem de site de financiamento e emissão de boleto falso.




















