Golpe do iPhone de Areia
O golpe do iPhone de Areia está no centro de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Rio Grande, no Litoral Sul, após a descoberta de um esquema que fraudava entregas de mercadorias adquiridas em grandes lojas da internet.
A operação, batizada de “Entrega Frustrada”, foi deflagrada na quarta-feira (19) e busca desmantelar um grupo criminoso responsável por substituir produtos caros por objetos sem valor antes que chegassem aos consumidores.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Paula Vieira, o golpe vinha sendo monitorado desde setembro, quando começaram a surgir relatos de pedidos que chegavam lacrados, porém com conteúdo completamente diferente do esperado.
Como o golpe funcionava: trocas antes da entrega
Conforme detalhou a investigação, o esquema era executado durante o trajeto das encomendas.
Em vez dos dispositivos eletrônicos originais — frequentemente smartphones de última geração — os golpistas colocavam dentro das caixas areia, objetos pesados ou itens aleatórios, simulando o peso real do produto.
Um dos episódios que mais chamou a atenção dos policiais envolveu a compra de um iPhone 17 Pro, que deveria ser entregue normalmente ao cliente, mas foi substituído por um punhado de areia.
A embalagem estava intacta, lacrada e aparentemente perfeita, o que dificultava a desconfiança imediata das vítimas.
A delegada afirma que esse padrão se repetiu em outros episódios já identificados:
— Temos informações de desvios como esse desde setembro. Cinco casos foram identificados até agora. Ainda estamos aprofundando as investigações, relatou Paula Vieira.
Recuperação de aparelhos e localização de um adolescente envolvido
Durante a operação, a Polícia Civil conseguiu recuperar dois dispositivos eletrônicos, avaliados em cerca de R$ 26 mil. Os aparelhos estavam em posse de integrantes do grupo que participavam da rota de desvio.
Um adolescente de 17 anos, apontado como um dos envolvidos, foi localizado e ouvido pela equipe policial. Por se tratar de um delito sem violência ou grave ameaça, ele acabou sendo liberado após prestar depoimento — procedimento padrão em casos dessa natureza.
— Como se trata de crime sem violência ou grave ameaça, ele foi ouvido e liberado, explicou a delegada.
Próximos passos: rastrear a rota completa da fraude
A Polícia Civil agora concentra esforços em identificar todos os responsáveis pela logística do golpe, incluindo possíveis cúmplices em diferentes etapas da cadeia de entrega.
A suspeita é de que mais pessoas estejam envolvidas, já que o modus operandi indica organização e conhecimento detalhado das rotinas de transporte e conferência de mercadorias.
Investigadores também avaliam se o grupo mantinha atuação em outras cidades do Rio Grande do Sul ou se fazia parte de uma rede maior, que replicava o golpe em outros estados brasileiros.
Como consumidores podem se proteger
Especialistas orientam que compradores sempre verifiquem o peso da embalagem, registrem a abertura por vídeo e chequem imediatamente o conteúdo ao receber uma encomenda de alto valor.
Denúncias rápidas ajudam na identificação de padrões criminosos e aceleram investigações.


















