Ante a excessiva agressão, raiva, mágoa e ressentimento verificados, busquei, na obra do eterno Mestre, Sigismund Freud, entender, ao menos em parte, o leitmotiv de tão intensa bílis em que se transfiguram algumas poucas manifestações.
O tema é por demais complexo; a obra de Freud, secundada por especialistas mais contemporâneos, é extensa. Sobre uma mesma temática Freud detém inúmeras publicações.
Restringi-me à leitura de Além do Princípio do Prazer, onde o Pai da Psicanálise preleciona que “O termo agressividade é reconhecido como inato ao ser humano. A agressividade representa uma forma de proteção contra ameaças externas. A agressividade é uma condição da fisiologia humana, que necessita de um estímulo ambiental para ocorrer”.
Freud ainda afirma que “todo organismo vivo é constituído por um conjunto pulsional, composto pela pulsão de vida (eros) e pela pulsão de morte (tânatos).” A pulsão de vida diz respeito ao amor, ao afeto, à libido e às atitudes construtivas ou altruísticas, e tende não somente a preservar a vida como também a reproduzir outras. Já a pulsão de morte, ou destrutiva, atuante em todo ser vivo, luta para destruí-lo. Nenhuma dessas duas pulsões é mais essencial do que a outra, uma vez que elas estão entrelaçadas, mas seria possível dissociá-las e suas manifestações serem contrárias entre si bem como haver uma fusão para alcançar um objetivo.
No ser humano, a pulsão agressiva coloca-se em oposição aos objetivos mais elevados da civilização e ocasiona conflito entre as pessoas. A prevalência da pulsão agressiva sobre o processo de civilização resultará numa inclinação para a agressão, que poderá ser evidenciada no comportamento de pessoas com tal disposição. Para que isso ocorra, a pessoa não precisa estar acometida de alguma patologia psicológica específica. A agressão aparece como um fator que perturba os relacionamentos.
O agente inibitório primário da agressão é o superego, sendo este desenvolvido no processo de interação ambiental da criança com a família. Algumas crianças se desenvolvem de maneira a tornarem-se incapazes de controlar sua agressão quando adultas e a agir de acordo com seu próprio impulso hostil. Nesses adultos, a agressão ou é reprimida e voltada para o próprio ego ou é deserdada e atribuída aos outros, sendo expressa sob formas explosivas e infantis, o que os impede de integrarem suas agressões de modo positivo.
A partir desta leitura podemos, ao menos, entender o porquê de tamanha frustração, raiva e despeito no conteúdo de manifestações bem próximas a nós mesmos. Ou seja, no bom português: fases infantis mal resolvidas.
Agora, nem por isso elas se justificam!




















