Um comitê científico do Rio Grande do Sul alertou nesta sexta-feira (8) que o El Niño 2026-27 pode provocar chuvas intensas, enchentes e deslizamentos no Estado.
Comitê científico alerta para impactos do El Niño no RS
A nota técnica foi elaborada por 14 especialistas do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul.
O documento aponta tendência de chuvas acima da média durante a primavera de 2026, além de maior risco de eventos extremos.
Os cientistas destacam que ainda é cedo para definir a intensidade do fenômeno, mas afirmam que haverá impactos sobre a população gaúcha.
“Ocorrerá algum tipo de impacto para a população e atividades no estado do Rio Grande do Sul”, afirma a nota técnica.
O que os modelos internacionais indicam
Instituições internacionais como NOAA, ECMWF e IRI vêm apontando um cenário cada vez mais favorável à formação do El Niño no segundo semestre de 2026.
Segundo os modelos climáticos, a temperatura das águas do Oceano Pacífico pode ficar entre 2°C e 3°C acima da média.
Caso o aquecimento atinja esse patamar, o fenômeno poderá ser classificado como forte ou até superintenso.
Chance de formação do El Niño
As projeções da NOAA indicam:
- 80% de chance de formação entre julho e agosto de 2026
- Probabilidade entre 88% e 94% de permanência ao longo do restante do ano
- Cerca de 25% de chance para cenários moderado, forte ou muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027
Quais impactos são esperados no Rio Grande do Sul
Os especialistas afirmam que o El Niño aumenta a frequência de eventos climáticos extremos no Sul do Brasil.
Entre os principais riscos citados estão:
- Chuvas intensas e persistentes
- Alagamentos urbanos
- Inundações em bacias hidrográficas
- Enxurradas
- Deslizamentos e movimentos de massa
- Tempestades severas
- Granizo
- Ventania associada a ciclones
O relatório também destaca aumento histórico na frequência de dias com chuva intensa.
Entre 1961 e 1970, o Sul do Brasil registrava cerca de 29 dias por ano com precipitação superior a 50 mm.
Entre 2011 e 2020, esse número saltou para 66 dias anuais.
Especialistas lembram desastre climático de 2023-24
A nota relembra que o El Niño de 2023-24 esteve associado ao maior desastre climático da história gaúcha.
Naquele período, acumulados chegaram a 900 mm de chuva em menos de 20 dias em algumas regiões do Estado.
As enchentes atingiram cerca de 95% dos municípios gaúchos, provocando milhares de desalojados e enormes prejuízos econômicos.
Os especialistas ressaltam que ainda não há indicativo concreto de repetição daquele cenário extremo, mas defendem preparação antecipada.
O que o governo e municípios devem fazer
O comitê científico recomenda revisão imediata dos planos de contingência.
Entre as medidas sugeridas estão:
- Preparação prévia da infraestrutura
- Reforço em sistemas de drenagem
- Monitoramento hidrometeorológico contínuo
- Comunicação clara com a população
- Garantia de serviços essenciais
- Treinamento para resposta rápida a eventos extremos
Os pesquisadores também reforçam a importância da previsão operacional de tempo severo para gerenciamento de risco.
Como o El Niño altera o clima no Sul do Brasil
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica global e favorece maior transporte de umidade para o Sul do Brasil.
Com isso, aumenta a frequência de:
- Frentes frias
- Ciclones extratropicais
- Sistemas convectivos
- Eventos de chuva extrema
Os cientistas também apontam possibilidade de temperaturas acima da média durante inverno e primavera.
Direto ao ponto
- El Niño 2026-27 pode provocar chuvas acima da média no RS
- Especialistas alertam para enchentes, alagamentos e deslizamentos
- NOAA indica até 80% de chance de formação do fenômeno
- Pacífico pode registrar aquecimento de até 3°C
- Comitê recomenda revisão urgente dos planos de contingência





















