O governo do Rio Grande do Sul antecipou ações emergenciais após meteorologistas confirmarem alta probabilidade de um El Niño intenso a partir da primavera de 2026.
RS entra em estado de atenção diante de novo cenário climático
O governador Eduardo Leite reuniu nesta quarta-feira (20) equipes da Defesa Civil Estadual para atualizar os prognósticos climáticos e determinar ações preventivas diante do avanço acelerado do fenômeno El Niño.
Segundo os modelos meteorológicos apresentados na reunião, existe 83% de probabilidade de que o Oceano Pacífico atinja aquecimento entre 1,5°C e 2°C acima da média, índice compatível com eventos classificados como fortes.
O cenário atual já é comparado tecnicamente ao El Niño de 2015/2016, um dos mais severos das últimas décadas.
O que está acontecendo no Oceano Pacífico
A meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente, explicou que o Pacífico apresentou aquecimento extremamente rápido nos últimos meses.
Evolução da temperatura do Pacífico
- Final de 2025: -0,4°C
- Maio de 2026: 0,5°C
- Projeção para primavera/verão: até 2°C acima da média
O aumento da temperatura oceânica altera os padrões atmosféricos sobre a América do Sul e amplia o potencial de eventos extremos no Sul do Brasil.
Além do Pacífico, o aquecimento anormal do Oceano Atlântico também preocupa meteorologistas porque favorece:
- formação de frentes frias intensas;
- ciclones extratropicais;
- chuvas persistentes;
- temporais severos;
- elevação rápida dos rios.
Defesa Civil vai monitorar 60 cidades consideradas mais vulneráveis
O governo estadual iniciará nas próximas semanas um fluxo de Governança Integrada de Proteção envolvendo municípios considerados mais expostos a enchentes, deslizamentos e eventos severos.
Cerca de 60 cidades foram classificadas como prioritárias com base em:
- histórico de eventos extremos;
- análises hidrológicas;
- dados geológicos;
- prognósticos meteorológicos;
- mapeamentos de áreas inundáveis.
Os prefeitos dessas localidades participarão de reuniões técnicas para receber diagnósticos personalizados sobre áreas críticas e protocolos de contingência.
Nova estrutura tecnológica amplia capacidade de previsão
O Estado afirma que o Rio Grande do Sul nunca teve uma estrutura tão robusta de prevenção climática.
Principais investimentos anunciados
- Ampliação em quatro vezes do efetivo técnico da Defesa Civil;
- novo radar meteorológico em operação em Porto Alegre;
- contratação de outros três radares;
- cobertura meteorológica integral do território gaúcho;
- investimento de cerca de R$ 1 bilhão via Plano Rio Grande;
- aquisição de equipamentos para forças de segurança.
A Defesa Civil também passou a utilizar modelagem hidrodinâmica para prever o comportamento dos rios antes mesmo das chuvas atingirem níveis críticos.
Com isso, o Estado consegue antecipar:
- possíveis áreas de inundação;
- necessidade de remoção de famílias;
- cotas prováveis de elevação dos rios;
- regiões urbanas com maior risco.
Todos os municípios gaúchos já possuem planos de contingência
Diferentemente do cenário enfrentado durante os eventos extremos de 2023 e 2024, os 497 municípios do Rio Grande do Sul agora possuem planos estruturados de contingência.
Os protocolos incluem:
- rotas de evacuação;
- comunicação de emergência;
- abrigos temporários;
- orientações à população;
- fluxos de resposta rápida.
Direto ao Ponto
- 83% de chance de formação de El Niño intenso em 2026
- Fenômeno pode atingir intensidade semelhante ao evento de 2015/2016
- 60 municípios gaúchos serão monitorados prioritariamente
- Estado investiu cerca de R$ 1 bilhão em preparação climática
- RS terá cobertura completa com quatro radares meteorológicos




















