Dragagem no RS: 22 canais hidroviários passam por obras, com investimento de R$ 691 milhões

A dragagem de hidrovias no Rio Grande do Sul entrou em fase decisiva, com operações simultâneas no entorno de Porto Alegre, no Guaíba e no Porto de Rio Grande. A…
Dragagem
Foto: Marcos Jatahy/Portos RS/Divulgação

A dragagem de hidrovias no Rio Grande do Sul entrou em fase decisiva, com operações simultâneas no entorno de Porto Alegre, no Guaíba e no Porto de Rio Grande. A intervenção, que promete melhorar a navegação e impulsionar a economia, também tem gerado dúvidas e críticas sobre seus efeitos ambientais e operacionais.

O que está acontecendo e por quê

A estatal Portos RS coordena a dragagem de 22 canais hidroviários, com foco em garantir profundidade mínima de 5,18 metros — essencial para embarcações de grande porte.

O projeto faz parte da reconstrução do Estado após a enchente histórica de 2024, financiado pelo fundo Funrigs, com investimento de R$ 691 milhões.

As ações ocorrem em áreas estratégicas:

  • Bacia do Guaíba
  • Rios Jacuí, Gravataí e Sinos
  • Lagoa dos Patos
  • Canal São Gonçalo
  • Zona portuária de Rio Grande

A meta é remover 20 milhões de metros cúbicos de sedimentos, sendo:

  • 16 milhões apenas no Porto de Rio Grande
  • O restante distribuído entre canais interiores

Por que a dragagem gera críticas

Vídeos que circulam nas redes mostram preocupação de navegadores sobre o método utilizado: o material retirado do fundo é redistribuído no próprio corpo hídrico, próximo às margens.

Para quem observa, isso pode parecer negligência. Mas especialistas apontam que essa prática segue padrão internacional.

O que diz o especialista

Segundo o pesquisador Fernando Dornelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, a chamada dragagem de manutenção funciona assim:

  • Remove sedimentos do canal de navegação
  • Deposita em áreas seguras dentro do mesmo rio
  • Evita impactos maiores de transporte e descarte externo

Dragagem reduz enchentes? entenda o limite da técnica

Um dos pontos mais sensíveis envolve a expectativa de que a dragagem poderia evitar novas enchentes — especialmente após a crise de 2024.

Na prática, especialistas são diretos: o impacto é limitado.

No caso do Guaíba, com cerca de 500 km²:

  • O desassoreamento teria efeito de poucos centímetros no nível da água
  • Exigiria obras bilionárias e contínuas
  • Seria combatido pela própria natureza (sedimentos voltam a cada chuva)

Ou seja: a dragagem atual é focada em logística e navegação, não em controle de cheias.

O que está sendo retirado dos rios

Apesar da ideia comum de “limpeza”, o material retirado vai muito além de areia e lodo.

De acordo com a Portos RS, há presença frequente de:

  • Resíduos urbanos (pneus, móveis, eletrodomésticos)
  • Material orgânico acumulado
  • Sedimentos trazidos pela bacia hidrográfica

Isso revela um problema estrutural: poluição e descarte irregular nos rios.

Cenário futuro: o que esperar até o fim das obras

O cronograma atual prevê:

  • 3 lotes já concluídos
  • 3 em execução
  • 1 ainda a contratar (rios Gravataí e Sinos)

A expectativa é que os trabalhos avancem até o final do ano, com impactos graduais na navegação e na economia regional.

No entanto, o debate sobre equilíbrio entre desenvolvimento e impacto ambiental deve continuar — especialmente em áreas urbanas e turísticas do entorno do Guaíba.

Em resumo

A dragagem no RS é irregular?

Não. O processo segue normas ambientais e padrões internacionais.

A obra ajuda a evitar enchentes?

Não de forma significativa. O impacto no nível da água é mínimo em grandes corpos como o Guaíba.

Qual o principal benefício da dragagem?

Melhorar a navegação.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp

Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

Notícias relacionadas

Dragagem