Cidade gaúcha: a poluição do ar já não é apenas um problema ambiental: ela está diretamente associada a 13,56% das mortes por câncer de pulmão registradas nas capitais brasileiras na última década. O dado é de um estudo conduzido feito pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg), juntamente com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e acende um alerta para políticas públicas além do combate ao tabagismo.
Cidade gaúcha lidera ranking: veja o que o estudo identificou sobre poluição do ar e câncer de pulmão
Publicado na revista científica Atmosphere, o levantamento analisou dados das 27 capitais brasileiras entre 2014 e 2023. Os pesquisadores cruzaram informações climáticas, registros meteorológicos e dados oficiais de mortalidade do Sistema Único de Saúde (Datasus).
O foco foi o material particulado fino (PM2,5), partículas cerca de 30 vezes menores que a espessura de um fio de cabelo, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e atingir a corrente sanguínea.
Segundo o estudo, quase 10 mil mortes por câncer de pulmão no período analisado podem ser atribuídas à exposição crônica a esse poluente.
O que é o PM2,5 e por que ele é perigoso
O PM2,5 é composto por uma mistura de partículas sólidas e gotículas líquidas suspensas no ar. Ele é gerado principalmente por:
- Queima de combustíveis fósseis
- Emissões industriais
- Tráfego intenso de veículos
- Queimadas urbanas e rurais
Capitais com maior impacto da poluição do ar
As maiores taxas de mortalidade atribuível ao PM2,5 foram registradas em:
- Porto Alegre
- Curitiba
- São Paulo
- Rio de Janeiro
Nessas cidades, 97,41% das médias anuais de concentração de partículas ultrapassaram o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O fator comum é a combinação de alta densidade populacional, tráfego intenso e forte atividade industrial — especialmente na Região Sul, que concentra o segundo maior polo industrial do país.
O problema vai além do cigarro
Historicamente, o câncer de pulmão foi associado quase exclusivamente ao tabagismo. No entanto, o estudo mostra que mesmo pessoas que nunca fumaram estão expostas a fatores ambientais que elevam o risco da doença.
O artigo destaca que exposições como:
- Poluição veicular
- Queimadas
- Carcinógenos ocupacionais
- Incidência de tuberculose
- Emissões industriais
têm contribuído para uma parcela crescente de casos não relacionados ao uso de tabaco.
O que está acontecendo e por que os índices continuam altos
Apesar de avanços em políticas antitabagismo, o controle da poluição atmosférica ainda enfrenta desafios estruturais:
- Frota veicular crescente nas grandes capitais
- Fiscalização ambiental desigual
- Expansão urbana desordenada
- Dependência de combustíveis fósseis
Impacto direto na população urbana
O efeito é silencioso e cumulativo. A exposição prolongada não causa sintomas imediatos evidentes, mas aumenta o risco ao longo dos anos.
Na prática, isso significa:
- Maior pressão sobre o sistema público de saúde
- Aumento de internações por doenças respiratórias
- Crescimento dos custos sociais e econômicos
O que pode mudar a partir de agora
O estudo coloca as universidades brasileiras no centro do debate ambiental e reforça a necessidade de ações coordenadas entre municípios, estados e União.
A redução da poluição atmosférica pode representar não apenas ganhos ambientais, mas impacto direto na prevenção de milhares de mortes evitáveis.
Em resumo
Qual a relação entre poluição do ar e câncer de pulmão?
O estudo indica que 13,56% das mortes nas capitais brasileiras estão associadas à exposição prolongada ao PM2,5.
Quais cidades apresentam maior risco?
Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro registraram as maiores taxas atribuíveis ao poluente.
Reduzir o tabagismo é suficiente?
Não. O controle da poluição atmosférica é essencial para diminuir efetivamente a mortalidade por câncer de pulmão.





















