Cidade do Litoral será a primeira da América Latina a produzir combustíveis totalmente sustentáveis

Cidade do Litoral A cidade do Litoral que está prestes a protagonizar uma revolução energética no Brasil é Rio Grande, no Litoral Sul. O município será a primeira cidade da…
Cidade do Litoral será a primeira da América Latina a produzir combustíveis totalmente sustentáveis
Foto: Marcos Jatahy/Agência Petrobras

Cidade do Litoral

A cidade do Litoral que está prestes a protagonizar uma revolução energética no Brasil é Rio Grande, no Litoral Sul.

O município será a primeira cidade da América Latina a produzir combustíveis em escala industrial a partir de matéria-prima totalmente sustentável, graças à transformação da Refinaria Riograndense, que deixará de produzir derivados fósseis para operar como uma Biorrefinaria a partir de 2026.

Essa mudança marca um dos mais ambiciosos avanços tecnológicos já registrados no setor energético nacional, colocando o Rio Grande do Sul no mapa global da produção de combustíveis verdes.

Com a transição, a refinaria não utilizará mais petróleo, passando a operar exclusivamente com produtos renováveis — com destaque para insumos derivados da soja e outras oleaginosas.

A virada histórica: do petróleo à energia limpa

A conversão da refinaria representa uma ruptura com quase nove décadas de operações baseadas no petróleo. Segundo especialistas, trata-se de um marco crucial para acelerar a descarbonização no país.

O ecólogo e professor da FURG, Marcelo Dutra da Silva, reforça que a transição é determinante para o futuro ambiental do Brasil:

“Reduzir o uso do petróleo é o primeiro grande passo para o sucesso da transformação energética.”

A nova operação permitirá que a unidade produza combustíveis verdes, diminuindo drasticamente a emissão de gases de efeito estufa.

O que será produzido pela Biorrefinaria

A primeira fase, com previsão de início no primeiro trimestre de 2026, focará na produção de derivados essenciais à cadeia energética nacional e internacional, incluindo:

  • gás de cozinha renovável

  • óleo combustível para embarcações

  • combustíveis para aviação

  • resinas para borracha sintética, PVC e nylon

  • diesel verde

  • querosene sustentável (SAF)

Todos esses produtos serão fabricados a partir de matéria-prima renovável — em grande parte, soja e outras oleaginosas produzidas no próprio Estado.

Investimentos gigantescos e projeção global

A segunda fase do projeto prevê um investimento estimado em US$ 1 bilhão, destinado à produção de biocombustíveis avançados, especialmente o combustível sustentável de aviação (SAF).

Esse valor foi calculado após dois anos de análises técnicas, engenharia e estudos de viabilidade.

Uma reunião entre os sócios — Petrobras, Braskem e Ultra — deve ocorrer no primeiro semestre para decidir a continuidade do projeto.

Entre os pontos avaliados estarão:

  • segurança técnica

  • viabilidade comercial

  • competitividade internacional

  • disponibilidade de matérias-primas

Se aprovado, o empreendimento colocará a cidade do Litoral Sul como referência mundial no setor de energia renovável.

Testes industriais confirmam capacidade da planta

A refinaria já realizou diversos testes para avaliar o comportamento da tecnologia aplicada ao biorrefino.

Entre os principais marcos:

Teste com 100% de óleo de soja (2023)

  • Investimento de R$ 45 milhões

  • Uso de 2 mil toneladas de óleo de soja

  • Primeira vez que uma unidade de craqueamento catalítico convencional processou apenas óleo vegetal

Teste com bio-óleo e carga mineral (2024)

  • Produção de gasolina, diesel e propeno com conteúdo renovável

  • Etapa essencial para validação do coprocessamento

Próximo teste (dezembro de 2025)

Será utilizado óleo de soja misturado com TCO (óleo de milho técnico), permitindo avaliar o rendimento com diferentes fontes.

Impacto econômico: mais de 3 mil empregos

Além do avanço ambiental e tecnológico, o projeto transformará a economia regional.
A construção deve gerar 3 mil empregos diretos e indiretos, movimentando toda a cadeia de serviços, transporte, comércio e indústria.

Após a inauguração, entre 400 e 500 profissionais devem ser mantidos de forma permanente.

Segundo os cálculos da refinaria, o impacto econômico estimado ultrapassa US$ 1 bilhão, podendo ser até cinco vezes maior, conforme apontam estudos internacionais sobre iniciativas semelhantes.

Porto de Rio Grande 

O presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, destaca que a proximidade com o porto coloca a cidade do Litoral Sul em posição estratégica para logística global:

“Teremos a possibilidade de pensar em um bunker verde para navios, criando novas oportunidades para toda a região.”

O porto atuará no recebimento de insumos, embarque de produtos acabados e integração com o mercado internacional.

A força da agricultura gaúcha como base da transição energética

A refinaria está cercada pela região com maior disponibilidade de óleos vegetais do Brasil.

Essa abundância reduz custos logísticos e permite contratos de longo prazo com produtores locais, garantindo segurança para o campo e fortalecendo a economia regional.

Mercado global: Brasil entra na disputa dos combustíveis verdes

O projeto mira dois grandes eixos:

  1. Mercado interno — com forte demanda por diesel verde;

  2. Mercado externo — com compradores em expansão, como EUA, Canadá, União Europeia, Japão e Coreia do Sul.

Redução de emissões acima de 80%

A empresa projeta que as emissões diminuirão mais de 80% em comparação aos combustíveis fósseis.
O ecólogo Marcelo Dutra reforça que os biocombustíveis são parte importante da transição, apesar de não eliminarem totalmente o carbono:

“É um ciclo rápido de queima e sequestro, diferente dos combustíveis fósseis.”

Histórico da Refinaria Riograndense

Fundada em 1937, foi a primeira refinaria do Brasil e hoje é operada por Petrobras, Braskem e Ultra.

Atualmente gera:

  • 320 empregos diretos

  • 150 terceirizados

  • 2 mil indiretos

Agora, prepara-se para iniciar a fase mais inovadora de sua história.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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