Um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul já mostra sua força desde as primeiras horas desta terça-feira (7), com imagens de satélite revelando uma grande “mancha” de tempestade avançando sobre o estado.
O registro foi feito pelo satélite GOES-16 e evidencia nuvens carregadas associadas a chuvas intensas, raios e rajadas de vento. Em nossas apurações, o que mais chama atenção é a rápida evolução do sistema nas últimas horas.
O que mostra a imagem do satélite?
A imagem capturada por volta das 11h30min destaca áreas em tons de vermelho e tonalidades mais escuras — indicativas de nuvens do tipo cumulonimbus, conhecidas pelo alto potencial de tempestades severas.
Na prática, isso significa chuva forte em curto período, descargas elétricas frequentes e vento intenso, cenário já confirmado em diversas cidades gaúchas.
Onde já choveu mais no RS?
Os acumulados impressionam e ajudam a explicar os transtornos registrados:
- Santa Maria: 97 mm
- Sobradinho: 96 mm
- Itaqui: 92 mm
- Lagoa Bonita do Sul e Tupanciretã: 83 mm
- Entre-Ijuís e Ivorá: 79 mm
Estações particulares indicam volumes ainda maiores, ultrapassando 100 mm em municípios como Tupanciretã, Santiago e Santo Ângelo.
O que vimos na prática foi uma madrugada de caos em algumas regiões: alagamentos em Santa Maria, ruas intransitáveis em Panambi e destelhamentos em Restinga Seca.
Quantos raios atingiram o estado?
O sensor GLM registrou 98 mil descargas elétricas em apenas 24 horas no Rio Grande do Sul.
As cidades mais atingidas foram:
- Itaqui: mais de 6 mil raios
- Santiago: 5.256
- São Francisco de Assis: 4 mil
- Maçambará: 3.858
- Alegrete: 3.681
O pior ainda está por vir?
Sim. Modelos meteorológicos indicam que novos pulsos de chuva forte devem ocorrer ao longo do dia, aumentando o risco de alagamentos e elevação de rios.
Entre a tarde e a noite, a instabilidade avança para outras regiões, com possibilidade de tempestades localizadas, granizo e rajadas de vento.
Ventos podem chegar a 100 km/h
Na fronteira com o Uruguai e no Sul do estado, a queda da pressão atmosférica favorece rajadas intensas, que podem atingir entre 80 e 100 km/h.
Áreas como Rio Grande e Chuí estão entre as mais expostas. Há previsão de impacto direto nas operações portuárias devido ao mar agitado.
Ressaca do mar coloca litoral em alerta
O ciclone também deve provocar ressaca marítima significativa a partir de quarta-feira (8).
- Ondas em alto mar: até 4,5 metros
- Ondas na costa: até 3 metros
Há risco de danos em estruturas à beira-mar, erosão costeira e perigo extremo para navegação, especialmente em áreas como a Lagoa dos Patos e o litoral sul gaúcho.
No Litoral Norte o efeito deve ser menor.
Resumo Rápido
P: O que está acontecendo?
R: Um ciclone extratropical avança sobre o RS com chuva intensa e vento forte.
P: Onde a situação é mais crítica?
R: Metade Oeste e Sul do estado, com acumulados acima de 100 mm.
P: O que esperar nas próximas horas?
R: Mais chuva forte, rajadas de vento e risco de ressaca no litoral.





















