Ciclone na costa chama atenção por comportamento incomum

Ciclone no Atlântico Sul permanece ativo por quase uma semana sem se afastar, algo raro. Sistema não oferece risco direto ao Brasil, mas influencia o clima em várias regiões. Ciclone…
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Foto: ZOOM EARTH/Divulgação

Ciclone no Atlântico Sul permanece ativo por quase uma semana sem se afastar, algo raro. Sistema não oferece risco direto ao Brasil, mas influencia o clima em várias regiões.

Ciclone na costa do Brasil surpreende pela duração e posição

O ciclone na costa do Brasil tem chamado a atenção de meteorologistas por um motivo específico: ele permanece praticamente parado no Atlântico Sul há vários dias, um comportamento considerado incomum para esse tipo de sistema.

Formado no fim de semana na costa do Sudeste, o sistema migrou levemente, mas seguiu quase estacionário na mesma área por cerca de cinco dias, algo raro nas latitudes onde o Brasil está inserido.

Apesar da aparência impressionante em imagens de satélite, o ciclone não representa risco direto ao território brasileiro.

O que está acontecendo e por quê

O fenômeno é classificado como um ciclone extratropical, o tipo mais comum na costa brasileira. Sua pressão atmosférica central gira em torno de 1004 hPa, indicando que não é um sistema intenso.

No início da semana, chegou a ser mais profundo, com cerca de 997 hPa, quando apresentou ventos mais fortes — com rajadas que ultrapassaram 100 km/h, mas restritas ao alto mar.

Por que o ciclone não se moveu?

O principal fator por trás do comportamento incomum é um bloqueio atmosférico. Um centro de alta pressão, com cerca de 1030 hPa, posicionou-se ao Sul e Sudeste do sistema.

Na prática, esse bloqueio funcionou como uma barreira, impedindo o deslocamento natural do ciclone, que normalmente seguiria para leste ou sudeste.

  • Ciclones costumam se deslocar rapidamente no oceano
  • Este ficou “preso” por um sistema de alta pressão
  • Oscilou pouco de posição ao longo dos dias

Impactos no Brasil: o que muda na prática

Mesmo distante da costa, o ciclone influencia o clima ao canalizar umidade para o continente.

Isso pode gerar:

  • Mais instabilidade no Centro-Oeste e Sudeste
  • Aumento de nebulosidade
  • Chuvas isoladas ou persistentes

Importante destacar: o campo de vento mais intenso permanece em alto mar, sem impacto direto em cidades.

Por que houve dúvida sobre a classificação

O sistema gerou debate entre especialistas porque, em alguns momentos, apresentou características que poderiam classificá-lo como subtropical ou até tropical.

Se fosse considerado atípico, poderia até receber um nome — como ocorre com sistemas mais organizados no Atlântico Sul.

No entanto, a Marinha do Brasil manteve a classificação como extratropical, o que significa que ele segue o padrão mais comum da região.

Diferença entre ciclone extratropical, subtropical e tropical

  • Extratropical: mais comum no Brasil, formado por contraste de temperatura entre massas de ar
  • Subtropical: sistema híbrido, com características mistas
  • Tropical: alimentado pelo calor do oceano, com maior potencial de intensificação

No Brasil, apenas ciclones subtropicais ou tropicais podem receber nomes — e somente quando atingem determinados critérios de vento.

O que esperar agora

A tendência é de mudança nos próximos dias. Com o avanço de uma frente fria e o enfraquecimento do sistema, o ciclone deve perder força e se dissipar ainda no fim da semana.

Isso encerra um episódio considerado atípico pela duração e pela dificuldade de deslocamento do sistema.

Em resumo

O ciclone oferece risco ao Brasil?

Não. O sistema está em alto mar e não afeta diretamente áreas habitadas.

Por que ele ficou parado?

Devido a um bloqueio atmosférico causado por um sistema de alta pressão.

O fenômeno é raro?

Sim. Ciclones nessa região normalmente se deslocam rapidamente, o que não ocorreu neste caso.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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