Ceia de Natal no RS
A ceia de Natal no RS começa 2025 com um alerta claro para quem não abre mão dos itens clássicos da mesa natalina: castanhas, nozes e cerejas ficaram significativamente mais caras.
Apesar de o levantamento do Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada (NPEA/IEPE-UFRGS) apontar estabilidade na média dos preços — variação tímida de 0,20% entre a última semana de novembro e a primeira semana de dezembro — algumas estrelas da ceia dispararam.
A análise comparou o mesmo período entre 2024 e 2025 e envolveu 42 produtos vendidos em supermercados de Porto Alegre, revelando contrastes fortes entre as maiores altas e as quedas mais acentuadas.
As maiores altas da ceia gaúcha em 2025
Castanha-do-pará dispara mais de 40%

O produto que mais pesou no orçamento natalino foi a castanha-do-pará.
Com alta de 40,70%, o quilo chegou a R$ 162,37. O aumento expressivo é resultado da maior quebra de safra em duas décadas.
Eventos climáticos extremos — especialmente as estiagens severas que atingiram a Amazônia — reduziram em mais de 70% a produção.
A baixa oferta pressionou o mercado e puxou para cima as oleaginosas, tradicionalmente muito procuradas nesta época do ano.
Nozes sobem mais de 31% com impacto global

Outro item indispensável nas mesas de fim de ano, as nozes registraram valorização de 31,63%, com o quilo chegando a R$ 138,95.
Nesse caso, o problema também veio de fora:
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Turquia, maior produtora mundial, perdeu cerca de 22% da safra após geadas primaveris.
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Chile, um dos principais fornecedores do Brasil, segue enfrentando efeitos da safra de 2024, marcada por atrasos e falhas de maturação que derrubaram a produção em cerca de 30%.
Com duas potências produtoras operando abaixo do normal, o mercado internacional ficou pressionado, afetando diretamente o consumidor brasileiro.
Cereja fica mais cara e enfrenta barreiras sanitárias

A cereja — símbolo do Natal e muito presente em sobremesas — teve alta de 22,25%, com o quilo custando em média R$ 97,58.
Além da produção chilena reduzida, um episódio recente trouxe ainda mais tensão ao setor: um carregamento de 1.120 kg da fruta foi destruído no aeroporto de Guarulhos após a detecção da praga Brevipalpus chilensis, considerada uma ameaça a culturas como uva, cítricos e kiwi no Brasil.
Embora autoridades chilenas tenham garantido que o episódio não afeta o comércio entre os países, o reforço no controle sanitário evidencia a fragilidade da cadeia produtiva e o risco de repasses futuros ao consumidor.
Itens que ficaram mais baratos e aliviam o carrinho
Batata cai 35% com safra cheia
Na contramão das altas, a batata registrou queda de 35%, chegando a R$ 3,79. A explicação está em uma combinação de excelente safra e demanda desaquecida, que ajudaram a derrubar os preços.
Arroz reduz mais de 30% e contribui para estabilidade geral
O arroz, um dos alimentos mais consumidos do país, caiu 30,11%, com o quilo custando em média R$ 4,96. A abundância na produção nacional — aliada a um mercado mais estável — ajudou a suavizar o impacto das altas nos itens importados.
Fio de ovos recua quase 25%
Outro produto tradicional nas festas, o fio de ovos teve baixa de 24,61%, marcado a média de R$ 57,65. A queda acompanha a redução no custo de insumos e maior oferta no período.
Por que a ceia ficou mais cara? A resposta está no clima
Especialistas apontam que 2025 reforça um padrão preocupante: o clima extremo está moldando a dinâmica de preços da ceia de Natal no RS e em todo o país.
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Estiagens na Amazônia reduziram drasticamente a oferta de castanhas.
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Geadas na Turquia afetaram diretamente o mercado global de nozes.
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Instabilidades e pragas impactaram a oferta de frutas importadas, como a cereja.
A volatilidade climática — somada a questões logísticas e sanitárias — mostra que a mesa natalina dos gaúchos está mais dependente do mercado internacional do que nunca.
Lista completa das maiores altas e quedas
Altas
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Castanha-do-pará: R$ 162,37 (+40,70%)
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Nozes: R$ 138,95 (+31,63%)
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Cereja: R$ 97,58 (+22,25%)
Quedas
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Batata: R$ 3,79 (-35%)
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Arroz: R$ 4,96 (-30,11%)
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Fio de ovos: R$ 57,65 (-24,61%)
Fonte: Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada (IEPE/UFRGS)





















