CCM da primavera foi registrado na madrugada desta terça-feira (30) no Cone Sul da América do Sul, segundo a MetSul.
O fenômeno, tecnicamente chamado de Complexo Convectivo de Mesoescala, é caracterizado por grandes aglomerados de nuvens carregadas que se formam em ambientes de ar quente e úmido.
Ele foi identificado em imagens de satélite por volta das 6h da manhã, centrado entre o Sul do Paraguai e a província argentina de Corrientes, avançando em direção ao território gaúcho.
O que é o CCM e por que ele preocupa na primavera
Um Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM) é um sistema de tempestades interconectadas que vai além de células isoladas, mas não chega ao porte de ciclones extratropicais.
Nas imagens de satélite, apresentam formato quase circular e topos de nuvem extremamente frios, chegando a temperaturas entre -70ºC e -90ºC, o que indica o alcance das nuvens a altitudes de até 15 km.
Esse tipo de fenômeno costuma se formar no fim da tarde ou à noite, atingindo maior intensidade durante a madrugada.
Normalmente, os efeitos se estendem até o período da manhã seguinte, quando começam a se dissipar.
Na primavera e no verão, a atmosfera do Sul do Brasil torna-se mais quente, úmida e instável, criando as condições ideais para a formação desses complexos.
Embora muitos deles se originem no Paraguai ou no Nordeste argentino, não é raro que avancem em direção ao território gaúcho, provocando chuvas fortes, granizo e rajadas de vento.
Impactos no Rio Grande do Sul
O primeiro CCM da primavera trouxe chuva volumosa e temporais para municípios do Norte do Rio Grande do Sul entre a noite de segunda-feira (29) e a madrugada desta terça (30).
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Boa Vista das Missões registrou queda de granizo por volta das 22h, assustando moradores.
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Em Getúlio Vargas, os bombeiros atenderam a ocorrência de uma residência destelhada no bairro Navegantes.
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Já em Sertão, árvores caíram sobre a RS-135, mas não houve bloqueio total do tráfego.
Apesar dos estragos pontuais, a maior intensidade do fenômeno foi registrada nos países vizinhos, segundo a MetSul Meteorologia.
Como a população deve se preparar
Especialistas reforçam a importância de acompanhar os alertas meteorológicos durante a primavera, já que novos CCMs podem se formar nas próximas semanas, trazendo riscos de:
Contexto climático
O avanço de massas de ar quente e úmido provenientes do interior do continente cria uma “combustão atmosférica” que favorece fenômenos como o CCM.
No Rio Grande do Sul, eles tendem a ocorrer com maior frequência entre setembro e fevereiro, período de maior instabilidade atmosférica.
Meteorologistas alertam que a combinação de calor intenso, umidade elevada e instabilidade pode gerar episódios semelhantes nos próximos dias, especialmente em áreas de fronteira com Argentina e Paraguai.





















