Carnaval no Litoral Norte tem ocupação abaixo do esperado

O Carnaval no Litoral Norte não repetiu o desempenho de anos anteriores e deixou empresários com um gosto amargo de oportunidade perdida. Tradicionalmente, o ponto facultativo transforma cidades como Tramandaí…
Carnaval
Foto: Reginaldo Leal/PMI

O Carnaval no Litoral Norte não repetiu o desempenho de anos anteriores e deixou empresários com um gosto amargo de oportunidade perdida.

Tradicionalmente, o ponto facultativo transforma cidades como Tramandaí e Imbé em vitrines lotadas. Transporte, bares e hospedagens operam no limite. Em 2026, porém, o cenário foi diferente.

Segundo a diretora do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral Norte (SHRBS-LN) e do Hotel Mares do Sul, Claudia Matias Moreira, a ocupação variou entre 80% e 90%.

Em anos de tempo firme, o número costuma bater 100% com facilidade.

Por que os hotéis não lotaram no Carnaval?

A explicação mais imediata foi a instabilidade do clima. Quando a previsão aponta sol contínuo, a resposta do turista costuma ser automática.

“Esperávamos que ficasse lotado”, relatou Claudia. O que vimos na prática foi um consumidor mais cauteloso e reservas feitas em cima da hora.

  • Tempo instável reduziu decisões antecipadas
  • Reservas tardias concentradas na última semana
  • Volta às aulas pode ter influenciado parte das famílias

O clima realmente pesa mais que o calendário?

No litoral gaúcho, sim. A experiência mostra que a meteorologia costuma ter impacto maior do que datas escolares.

Quando o sol aparece na previsão, o telefone toca. Quando a chuva entra no radar, o silêncio é imediato.

O cenário econômico também travou o turismo?

Há um pano de fundo que não pode ser ignorado. O Rio Grande do Sul viveu um pico histórico de inadimplência em outubro de 2025.

45,51% da população adulta estava com dívidas em atraso — cerca de 4 milhões de pessoas. A média de débito ultrapassou R$ 7,2 mil por consumidor.

No ambiente empresarial, mais de 428 mil CNPJs estavam negativados até setembro de 2025.

Em nossas apurações com empresários da orla, a percepção é clara: o turista continua vindo, mas calcula mais. Reduz dias, escolhe hospedagens mais econômicas ou espera confirmação de sol para fechar.

Carnaval e Réveillon ainda têm o mesmo peso?

Historicamente, sim. Carnaval e Ano-Novo operam em patamares semelhantes no Litoral Norte.

Muitos hóspedes já deixam a reserva de Carnaval garantida ao final do Réveillon. Neste ano, o comportamento mudou.

  • Reservas antecipadas diminuíram
  • Decisão ficou concentrada perto da data
  • Maior sensibilidade à previsão do tempo

Resumo Rápido

P: A ocupação foi baixa no Carnaval?
R: Não foi baixa, mas ficou entre 80% e 90%, abaixo do padrão de 100% esperado.

P: O que mais impactou?
R: Instabilidade do tempo e cenário econômico com alta inadimplência.

P: O turismo no litoral está em crise?
R: Não, mas há mudança no comportamento de consumo e maior sensibilidade a preço e clima.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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